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    Acidente de avião matou Buddy Holly há 50 anos; leia trecho

    da Folha Online

    03/02/2009 21h09

    Há exatos cinquenta anos, no dia 3 de fevereiro de 1959, um acidente de avião nos EUA matou os pioneirios do rock Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. "The Big Bopper" Richardson.

    Charlie Neibergall/AP
    Pôster dos pioneiros do rock Buddy Holly (de óculos), Ritchie Valens (à esquerda) e J.P. "The Big Bopper" Richardson pendurado no Surf Ballrom, em Iowa, onde eles fizeram o último show antes do acidente fatal.
    Pôster de Buddy Holly (abaixo, de óculos), Ritchie Valens (à esq.) e J.P. "The Big Bopper" Richardson

    Leia abaixo trecho do livro "Como Eles Morreram" (Panda Books) sobre o episódio. O livro é um guia de consulta que revela como viveram e morreram personagens históricos, artistas, políticos, atletas e outras personalidades.

    Saiba mais lendo abaixo o trecho do livro sobre o acidente que matou Buddy Holly.

    Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".

    *

    O DIA EM QUE A MÚSICA MORREU

    (...)

    Buddy Holly tocava piano e violino na infância, e na adolescência ganhou sua guitarra. Quando se uniu aos Crickets, aos vinte anos, já havia lançado alguns discos com Decca (o selo acidentalmente esqueceu o "e" de seu sobrenome) e apresentado um estilo único de compor caracterizado por um lirismo carregado de blues.

    Divulgação
    Capa do livro "Como Eles Morreram"
    Capa do livro "Como Eles Morreram"

    Nos primeiros tempos do rock 'n' roll, Buddy Holly e os Crickets começaram a gravar no estúdio do Novo México, e em maio de 1957 haviam lançado That'll be the Day, título tirado de uma frase dita por John Wayne em Rastros de Ódio. A canção subiu nas paradas e eles saíram em turnê com ela; em novembro, Peggy Sue e Not Fade Away se juntaram ao primeiro sucesso. Com os Crickets, Buddy foi duas vezes ao The Ed Sullivan Show, e os holofotes inspiraram uma mudança cosmopolita na aparência e nos modos de Buddy: ele começou a vestir modernos ternos de Nova York e livrou-se dos óculos de aros pretos e grossos com os quais ficou famoso.

    No outono de 1958, devido a desentendimentos quanto à direção e aos royalties, Buddy separou-se dos Crickets e do empresário deles. Logo deu início a uma nova banda de apoio, incluindo a futura estrela do country Waylon Jennings no baixo, e saiu na turnê Winter dance party, uma apresentação que passaria pela região Centro-Oeste do país.

    As apresentações contavam com Ritchie Valens, um jovem artista conhecido por sua versão rock 'n' roll do clássico mexicano La bamba, e Jiles P. "Big Bopper" Richardson, um DJ texano que se tornou roqueiro e obteve muito sucesso com a canção Chantilly lace. Buddy liderava o grupo, e Dion e os Belmonts completavam a lista de artistas.

    A turnê de 24 paradas chegou a seu 11º destino, o Surf Ballroom, em Clearwater, Iowa, e os artistas estavam com frio, cansados e desanimados. Desde que tinham partido em turnê, dez dias antes, viajavam no rigoroso inverno do Centro-Oeste em um ônibus com um aquecedor ruim. Desanimados de dar início à viagem de 643 quilômetros até Fargo, Dakota do Norte, Buddy pediu a Carroll Anderson, empresário do Surf Balroom, para conseguir um vôo fretado. Carroll arrumou um avião pequeno Beechcraft com três assentos, da Dwyer Flying Service, e Buddy avisou os amigos de banda, Waylon Jennings e Tommy Allsup, que eles não teriam de ir a Fargo de ônibus.

    Entretanto, durante o show no Surf, Waylon Jennings cedeu seu assento no avião a Big Bopper, que por ser um homem grande, não ficaria confortável nos bancos estreitos do ônibus e que estava com gripe. Após a troca, Ritchie Vallens começou a pedir a Tommy Allsup que também cedesse seu lugar no avião. Tommy, por fim, concordou que eles tirassem a sorte no cara ou coroa; Ritchie pediu "cara", ganhando o lugar no avião. Após o show, Carroll levou Buddy, J. P. e Ritchie ao aeroporto de Mason City e despediu-se deles. Acompanhado da esposa e do filho, Carroll observou o avião levantar vôo e fazer a volta para seguir seu rumo. Nada parecia fora do comum, e Carroll foi para casa com a família.

    No entanto, na manhã seguinte, Jerry Dwyer, o proprietário do avião, estava certo de que algo de errado havia acontecido. O piloto, Roger Peterson, ainda não havia dado notícias. Após procurar por Peterson, telefonando para os aeroportos no caminho até Fargo, Dwyer partiu em uma busca com outro avião e avistou a aeronave destruída em uma plantação de milho a oito quilômetros de Mason City. O avião estava irreconhecível, exceto por uma asa, que não sofreu danos. Os corpos dos três passageiros estavam espalhados pela plantação, e o piloto, preso nas ferragens. Todos mortos.

    As autoridades não descobriram a causa do acidente; o piloto era experiente e capacitado, o equipamento de vôo estava funcionando normalmente e a aeronave era bem conservada e se encontrava em boas condições e, ao contrário do que relataram alguns meios de comunicação, o tempo estava favorável ao vôo; o céu da noite estava limpo com apenas algumas um pouco de neve. Tudo indica que, por alguma razão difícil de explicar, talvez desorientação ou falta de atenção, o piloto deixou a aeronave cair.

    Para os adolescentes da época, a notícia do acidente certamente causou um grande impacto, mas, para o público em geral, não foi muito importante. A imagem digna e correta de Buddy, e a pouca idade dos três roqueiros, tornou a história muito mais triste. Mas o rock 'n' roll era algo novo e que não era levado à sério na época e Buddy Holly foi logo esquecido.

    Então, em 1971, um compositor pouco conhecido, chamado Don McLean, lançou uma canção com aproximadamente sete minutos chamada American Pie. A letra dela conta esta história, com ritmo do rock 'n' roll, com a frase "the day the music died" (o dia em que a música morreu), uma referência clara ao primeiro sucesso de Buddy, That'll be the Day. Desde então, Buddy tem recebido merecidos créditos e reconhecimentos, e em 1969 entrou para o Hall da Fama do Rock 'n' Roll.

    Buddy tinha 22 anos quando morreu e foi enterrado no City of Lubbock Cemetery, em Lubbock, no Texas.

    Ritchie Vallens tinha apenas 17 anos, e foi enterrado no San Fernando Mission Cemetery, em Mission Hills, na Califórnia.

    Quando morreu Jiles P. "Big Bopper" Richardson tinha 28 anos. Foi enterrado no Forest Lawn Memorial Park, em Beaumont, no Texas.

    Waylon Jennings, que cedeu seu lugar no avião a J. P., teve uma carreira de muito sucesso na música country. Ele faleceu em 2002 (...).

    Anos após perder no cara ou coroa com Ritchie Vallens, Tommy Allsup abriu o Tommy's "Heads Up" Saloon, em Dalas, no Texas (EUA).

    "Como Eles Morreram"
    Autor: Tod Benoit
    Editora: Record
    Páginas: 320
    Quanto: R$ 45,90
    Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou no site da Livraria da Folha

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