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    Documentário "José e Pilar" revela a intimidade de Saramago

    FABIO VICTOR
    DE SÃO PAULO

    18/08/2010 09h02

    A versão do filme "José e Pilar" que será exibida hoje na 21ª Bienal do Livro de SP, às 19h --a mesma mostrada há quase duas semanas na Flip--, é dominada por imagens que não estarão no documentário do português Miguel Gonçalves Mendes a ser lançado em novembro.

    O filme perscruta sutilezas do cotidiano do escritor José Saramago com a mulher, a jornalista espanhola Pilar del Río. Baseia-se em 230 horas de gravações da intimidade do casal por três anos, justo o período de feitura de "A Viagem do Elefante", penúltimo livro do Nobel português, lançado em 2008.

    Segundo o diretor, a versão comercial não trará entrevistas com Saramago, morto em junho passado, que aparecem à farta na fita a ser exibida hoje, com 40 minutos de duração.

    Divulgação
    O escritor José Saramago (1922-2010) olha compenetrado para o computador durante jogo de paciência em "José e Pilar"
    José Saramago (1922-2010) olha compenetrado para o computador durante jogo de paciência em "José e Pilar"

    TAPA NA BUNDA

    "[A cópia final] Será uma espécie de 'Big Brother'", comparou Mendes, ressaltando se tratar de um filme sobre o amor do casal e não sobre sua parte mais famosa.

    A edição trazida ao Brasil mescla essa intimidade a algo como um making of.

    Vemos Saramago dar tapinhas na bunda de Pilar, que atravessa sem cerimônia na frente do computador. Numa tomada lateral, o escritor aparece concentrado em frente ao monitor. Quando a câmera mostra a tela... Saramago está a jogar paciência.

    Descobrimos que o casal se comunicava em espanhol. Vemos cenas do casamento em Castril, cidade natal dela.

    Há um longo trecho sobre a vinda ao Brasil para lançar "A Viagem do Elefante", com passagens hilárias e constrangedoras de entrevistas e sessões de autógrafos.

    Mas, como disse o diretor na Flip, é também um filme sobre a morte. Na paisagem árida das ilhas Lanzarote, na Espanha, onde moravam, Saramago solta frases como "Gostaria de morrer lúcido e de olhos bem abertos"; "Não queria estar na pele de Pilar quando eu desapareça"; "Para mim, o ideal de vida é ser árvore" e "Medo? Não. A morte para mim é a diferença entre estar e já não estar".

    Ou a declaração de amor: "Se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de lhe ter conhecido, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora".

    As partes exibidas hoje, mas excluídas da versão final, devem entrar nos extras do DVD do documentário, que tem como coprodutoras a brasileira O2, de Fernando Meirelles, e a espanhola El Deseo, de Pedro Almodóvar.

    21ª BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO
    QUANDO: das 10h às 22h; até 22/8
    ONDE: Pavilhão de Exposições do Anhembi (av. Olavo Fontoura, 1.209, tel. 0/xx/11/2089-7413)
    QUANTO: R$ 10
    CLASSIFICAÇÃO: livre
    MAIS INFORMAÇÕES E PROGRAMAÇÃO: no site do evento

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