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    Augusto de Campos e Caetano debatem poesia e tropicalismo na "Balada Literária"

    MARCUS PRETO
    DE SÃO PAULO

    17/11/2011 21h04

    As intersecções entre poesia concreta e o tropicalismo foram temas da conversa entre Augusto de Campos e Caetano Veloso na tarde dessa quinta-feira (17), em São Paulo.

    Veja fotos do encontro de Augusto com Caetano

    Músico e poeta passaram 1h15 diante de uma plateia atenta no B_Arco Centro Cultural Contemporâneo, em Pinheiros. O evento fez parte da programação da "Balada Literária", que completa seis anos, e teve o Augusto como homenageado da edição.

    Augusto lembrou-se ter ouvido falar de Caetano pela primeira vez no festival de música brasileira da TV Record. Era 1966 e "Boa Palavra", uma composição do baiano, era defendida então pela cantora Maria Odete.

    "Quando vi aquele menino, percebi que havia um deus nele", disse Augusto.

    Contou que foi ele quem pediu para o maestro Julio Medaglia, arranjador de algumas canções tropicalistas, que os apresentasse. E que, depois, passou a defender Caetano e os outros artistas do movimento --Gal Costa, Gilberto Gil, Tom Zé etc.-- perante a imprensa e a elite cultural de então.

    "Naquela época, eles falavam muito pouco. Caetano só dizia: 'Legal!' e 'Bacana'."

    Marlene Bergamo/Folhapress
    SAO PAULO-SP-BRASIL-17/11/2011 O compositor Caetano Veloso e o poeta concreto Augusto de Campos, parrticipam da Balada Literaria. 00040092A (foto - Marlene Bergamo/Folhapress)-{Supp Cat 1}
    Caetano Veloso e Augusto de Campos, o homenageado da "Balada Literária" deste ano

    Caetano lembrou de personagens do universo literário que chamaram o trabalho dos concretistas de "rock n'roll da poesia". "Augusto é mais soul", disse o cantor. "Ele é mais Erykah Badu e Amy Winehouse."

    Descreveram o início da amizade, a falta de assunto nas primeiras conversas, a admiração que ambos tinham pelo compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues e pelo cantor baiano João Gilberto, os poemas de um musicados por outro, as visitas dos concretistas ao apartamento dos baianos --de decoração "meio hippie meio ficção científica".

    "O apartamento do Caetano era uma loucura. Eu chegava e eles com aqueles cabelos, vestindo batas indianas. Eu achava que minha presença os assustava, mas eles também me assustavam muito", disse o poeta.

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