Uma nova Dolores Duran (1930-1959) pode surgir de "Dolores Duran - A Noite e as Canções de uma Mulher Fascinante", sua biografia por Rodrigo Faour. É a desconstrução da Dolores mítica --a mulher talentosa, mas feia, solitária, traída, depressiva, que destilou seu abandono em canções ideais para mitigar dores de cotovelo--, fabricada nessas cinco décadas desde sua morte, de infarto, aos 29 anos, e amparada nas letras de "A Noite do Meu Bem", "Castigo", "Fim de Caso", "Ternura Antiga" e muitas mais.
Biografia desfaz mitos sobre Dolores Duran, morta aos 29 anos
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A Dolores real não correspondia a essas letras e àquela descrição. Era uma mulher alegre, inteligente e admirada, que adorava falar palavrão, usar brincos exóticos e cozinhar para os amigos. E que, longe de sofrer por paixões, era bem prática quanto a namorados: eles existiam enquanto eram novidade. Depois, ela os convertia em amigos --como os compositores João Donato, Billy Blanco e Fernando (pai de Edu) Lobo, o saxofonista Paulo Moura, os cantores Ted Moreno e, talvez de farra, Ivon Curi, e outros (como o estudante Raimundo Nonato, oito anos mais novo, para quem ela teria feito "A Noite do Meu Bem").
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