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    Do bullying ao delírio, 'graphic novel' conta história de vingança

    THALES DE MENEZES
    EDITOR-ASSISTENTE DA "ILUSTRADA"

    10/11/2012 07h00

    "A Máquina de Goldberg" tem uma narrativa que vai ganhando força a cada página. Começa mais convencional e evolui para algo delirante. É daí que tira seus méritos.

    Vanessa Barbara, colunista da "Ilustrada", escreveu o texto. O desenho é de Fido Nesti, há uma década colaborador de jornais e revistas do Brasil e do exterior.

    A combinação dos dois artistas é fluente. A novela pode ser lida rapidamente, com ritmo de quadrinhos comerciais. Uma leitura mais atenta revela como os enquadramentos de Fido, que domina os close-ups em sequências de tensão, ditam esse ritmo de quase desenho animado.

    A primeira parte do álbum "engana". Parece que o leitor tem nas mãos mais uma história pegando carona no bullying. O protagonista é Getúlio, um garoto punk gordinho alvo fácil dos colegas.

    Fido Nesti/Divulgação
    Getúlio, o garoto obeso do álbum, no traço de Fido Nesti
    Getúlio, o garoto obeso do álbum, no traço de Fido Nesti

    O enredo começa com ele viajando para um acampamento de verão, materialização suprema do pesadelo para meninos com dificuldades de adaptação à turma.

    Lá, o bullying deixa de ser assunto de criança. O comandante do local, Rufus, impõe rotina militar aos garotos. Não demora para Getúlio se sentir no inferno.

    Numa segunda parte, a história enlouquece. Getúlio conhece o zelador do acampamento, um cara nada social que se dedica a construir "máquinas de Goldberg".

    São invenções dedicadas a complicar as tarefas mais simples. O criador pode usar fios, roldanas, polias e animais silvestres para movimentar engenhocas que demandam a simultaneidade de uma dezena de coisas para abrir e fechar uma porta ou ligar o fogão.

    Getúlio, o zelador e outros oprimidos no acampamento vão orquestrar uma vingança contra os malvados, utilizando as máquinas estapafúrdias. Tudo contado pelo espírito ainda inocente do garoto e suas "filosofices".

    Fido Nesti tem um traço que oscila entre o "fofinho" e o "nervoso". Um desenho pessoal, de estilo marcante. Quem acompanha seus trabalhos pode conhecer HQs mais refinadas com sua assinatura, mas aqui prevalece a urgência na ação.

    Essa vibração dos traços combina com a parte final da história, quando Vanessa parece pisar no acelerador e bolar situações enlouquecidas, quase lisérgicas.

    A MÁQUINA DE GOLDBERG
    AUTORES Vanessa Barbara (texto) e Fido Nesti (desenhos)
    EDITORA Quadrinhos na Cia.
    QUANTO R$ 34,50 (112 págs.)
    LANÇAMENTO hoje, das 16h às 19h30, na Companhia das Letras por Livraria Cultura, av. Paulista, 2.073, tel. 0/xx/11/3170-4041
    AVALIAÇÃO bom

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