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    "Não tenho medo da morte", disse Dona Canô à Folha

    DE SÃO PAULO

    25/12/2012 10h50

    Ao completar 105 anos, em setembro, Dona Canô recebeu a Folha em sua casa, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. A mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia disse que um dos segredos para a longevidade era comemorar um aniversário já pensando no próximo.

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    Mãe de Caetano, Dona Canô completa 105 anos e diz não ter medo da morte

    NELSON BARROS NETO
    EM SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO (BA)

    Os festejos, que ultimamente se tornaram mensais dentro da família, repetiram-se neste domingo (16), agora mobilizando toda a cidade. Dona Canô fez 105 anos e levou uma multidão à Igreja da Purificação, em Santo Amaro, a 67 km de Salvador.

    Mãe dos músicos Caetano Veloso e Maria Bethânia, além de outros cinco filhos vivos (Nicinha, a mais velha, morreu em outubro passado), a matriarca ainda tem nove netos, seis bisnetos, mais de 100 afilhados e o status de "patrimônio da Bahia", como repetia o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007. Ou de "amiga e exemplo", segundo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    ACM e Lula, aliás, estão em quadros na sala de sua casa, ponto turístico do município, ao lado de retratos dos familiares e de um parabéns enviado pelo papa Bento 16, quando ela completou 100 anos.

    "Não ligo para essas coisas não, meu filho", diz à Folha sobre a idade avançada, que começou a lhe prejudicar a audição. Apesar do corpo aparentemente frágil, de 45 kg e 1,60 m, Dona Canô permanece lúcida e com a saúde elogiada pelos médicos.

    Em 2011, chegou a ser internada em julho e agosto, por cerca de uma semana em cada uma das vezes, devido a dores na coluna e problemas respiratórios. Prontamente, se restabeleceu.

    "De um modo geral, ela parece que esqueceu que existe a morte", afirma Rodrigo, o filho que mora junto no comprido espaço da rua do Amparo. "Acaba uma festa, já pensa na outra", declara.

    Claudionor Vianna Telles Velloso, o nome de batismo, diz não temer o assunto. "Não tenho, não, meu filho. Acredito em Deus e sempre vivi com a minha família, com pessoas do meu lado, com a casa cheia. Acho que esse é o segredo [da longevidade]".

    A ligação com políticos, que até hoje aparecem para lhe pedir a bênção, rendeu donativos como cadeira de rodas, colchões e agasalhos, distribuídos pela cidade, que possui 60 mil habitantes.

    Mas, apesar de ter encampado mobilização contra a cassação de ACM (do então PFL), em 2001, Dona Canô é defensora de Lula (PT). "Quero muito bem a ele. Já gostava antes de ser presidente".

    Em 2009, por exemplo, não concordou com críticas de Caetano para o petista e fez questão de ligar pedindo desculpas em nome do cantor.

    Na porta de casa, há até um adesivo do PT, partido que governa Santo Amaro, onde o filho Rodrigo é secretário de Cultura. E mira a reeleição do prefeito Ricardo Machado.

    Mesmo assim, Dona Canô mostra desilusão: "Política é uma coisa muito suja".

    Não por acaso, vetou a candidatura da filha, a poetisa Mabel Veloso, cortejada nas eleições de 2000. "O povo falava que eu ia ganhar, mas minha mãe e Bethânia me fizeram desistir da possível candidatura", conta Mabel.

    A MISSA

    Nascida em 1907, a matriarca chegou de cadeira de rodas. Para subir a escadaria da igreja, uma rampa foi colocada de maneira provisória.

    A missa começou às 10h20, em meio a reclamações sobre o "barulho dos repórteres".

    "Mais um ano... Cento e cinco é uma data linda. E queremos mais", disse Bethânia, que cantou na solenidade.

    Caetano foi o último dos filhos a entrar. Personalidades como Regina Casé e Jorge Portugal se confundiram a 13 alemães de um grupo de estudos de música em Weimar-Jena.

    "Já viemos pelo quinto ano consecutivo. Passamos duas semanas aqui dedicados a elementos da cultura do Recôncavo Baiano, como samba de roda e candomblé", afirmou Philip Küppers, coordenador do projeto.

    Depois da missa, haveria almoço só com a família, em evento mais reservado.

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