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    Em 'casa' em Taguatinga, 'Faroeste Caboclo' estreia sem frisson

    FILIPE COUTINHO
    DE BRASÍLIA

    31/05/2013 03h14

    Em algum momento entre o fim dos anos 1970 e a década de 1980, João de Santo Cristo botou os pés no entorno de Brasília e arrumou o seu primeiro emprego como aprendiz de carpinteiro.

    O palco do início de sua saga brasiliense, como cantou Renato Russo e agora filmou René Sampaio em "Faroeste Caboclo", foi Taguatinga, a 25 km do centro da capital.

    Público faz coro de 'Faroeste Caboclo' após o fim do filme

    As aproximadas três décadas que separam a história da pré-estreia do filme, acompanhada quarta (30) pela Folha na cidade-satélite e também no Plano Piloto de Brasília, causam estranhamento e nostalgia nas plateias.

    Em Taguatinga, o comerciante Mauro Maciel, 49, gostou do que viu. "Contou a história de uma época que vivi. Foi incrível poder reconhecer a música no filme", disse.

    Sérgio Lima/Folhapress
    "Faroeste Caboclo" em exibição em cinema de Taguatinga
    "Faroeste Caboclo" em exibição em cinema de Taguatinga

    Mas a Taguatinga das telas, bucólica e agreste, não se reconhece na cidade-satélite hoje lar de mais de 220 mil pessoas e tem prédios altos, trânsito e comércio agitado.

    Taguatinga, porém, continua sendo um lugar onde o morador de Ceilândia pode ir assistir a um filme. Essa última continua como nos anos 1980 --sem uma sala de cinema, só que ainda mais pobre.

    A Folha encontrou na sessão das 15h de quarta-feira (30) duas pessoas que, além de fãs, tinham alguma ligação com o filme. Priscilla Lopes, 22, queria ver a cena que viu ser rodada na UnB (Universidade de Brasília). Ludmyla Teodoro, 22, desejava identificar os amigos figurantes.

    Já o estudante Leonardo Ramos, 14, foi com duas colegas à sessão e aprovou a fidelidade da adaptação. "Contei numa cena cinco tiros dados por Santo Cristo, exatamente como na música", diz.

    Havia cerca de cem pessoas na sala, metade da lotação --bem menos do que a sessão vizinha e abarrotada de "Velozes e Furiosos 6".

    Já a Brasília mostrada no longa registra diferenças menos marcantes. E, como mostra o filme, segue ligadíssima ao ritmo do funcionalismo público. No que isso possa ter de bom ou de ruim: a primeira cena de "Faroeste Caboclo" no Plano Piloto traz a Legião Urbana entoando "Tédio (com um T bem grande pra você)".

    Sérgio Lima/Folhapress
    Leonardo Ramos no cinema com as amigas Wayne Beatriz e Joyce Neves: "Contei na cena cinco tiros de Santo Cristo"
    Leonardo Ramos no cinema com as amigas Wayne Beatriz e Joyce Neves: "Contei na cena cinco tiros de Santo Cristo"

    Na sessão das 20h40 em Brasília, em um dos principais cinemas da cidade, a lotação foi máxima: 276 lugares. Havia de tudo: fãs da Legião, da música e da capital.

    Mas, nas duas sessões acompanhadas pela reportagem, não houve nenhum tipo de arroubo. Ouviram-se apenas risadinhas marotas ligadas ao gosto de Maria Lúcia por maconha e um burburinho um pouco maior quando é mostrada a UnB dos anos 1980.

    Na sala de Taguatinga, alguém observou quando Maria Lúcia suborna um policial: "Não mudou nada". Ao final do filme, uns vão embora, outros cantam baixinho a música "Faroeste Caboclo".

    Em Brasília, o mesmo. Houve um aplauso tímido, que logo acabou. Passaram-se 100 minutos de filme, mas era a primeira vez que a canção tocava. "Faltou melodia, faltou Legião Urbana", comentou Érika Paulino, 51, servidora pública.

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