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    Crítica: 'Jogos Vorazes: Em Chamas' repete dinâmica do predecessor

    PAUL MACINESS
    DO "GUARDIAN"

    15/11/2013 03h06

    Os Jogos Vorazes estão repletos de risco; há muito em jogo, e perigo em todo canto --e aqui estamos falando só da série de filmes.

    Centrado em um evento de combates no qual adolescentes se enfrentam até a morte, o primeiro filme da série faturou quase US$ 750 milhões [R$ 1,7 bi] em 2012. Em contexto: US$ 300 milhões [R$ 696 mi] a mais que o primeiro filme da série Crepúsculo.

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    Parte do sucesso se deve a uma peculiar alquimia que torna o filme igualmente atraente para meninos e meninas adolescentes.

    O primeiro filme termina com a heroína Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), vencendo os "jogos vorazes", mas violando as regras ao garantir que seu parceiro e colega matador Peeta Mellark (Josh Hutcherson) sobreviva ao seu lado.

    Divulgação
    Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e a irmã, Primrose (Willow Shields), em 'Jogos Vorazes: Em Chamas
    Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e a irmã, Primrose (Willow Shields), em 'Jogos Vorazes: Em Chamas'

    A segunda parte retoma a história um ano mais tarde. Katniss está de volta aos braços de seu amor, Gale (Liam Hemsworth), e vive em uma grande casa oferecida pelo governo de Panem.

    Mas enquanto ela se esforça para desaparecer na normalidade, a audácia que exibiu durante os jogos fomenta revoltas nos distritos.

    Assim, uma edição especial de aniversário dos jogos vorazes é anunciada, e todos os sobreviventes precisam competir novamente.

    Os atrativos de Lawrence têm posição central. Ela é bonita e durona ao mesmo tempo, o que atende às duas faixas de audiência que o filme busca conquistar.

    Mas a atriz também consegue exibir preocupação e simpatia como parte da mistura. As melhores risadas do filme são causadas por sua reação ao aparecimento súbito de uma rival, que se despe em um elevador.

    O elenco de apoio desta vez é maior, e tem papéis mais vistosos a interpretar.

    A começar por Sutherland como o presidente Snow e Philip Seymour Hoffman como Plutarch, o sinistro mestre dos jogos; Woody Harrelson faz o mentor Haymitch, e a interpretação mais deliciosa vem de Stanley Tucci no papel de Caesar Flickerman, o âncora de TV dos jogos.

    O problema do filme está no coração, ou na falta dele.

    Apesar dos novos adversários, a dinâmica é igual à do primeiro filme: Katniss precisa sobreviver, e manter vivo o atrapalhado Peeta.

    A continuação também demonstra menos coração no sentido figurativo.

    Enquanto o primeiro filme se dedica a exibir as dificuldades morais de se disputar um jogo que não passa de um banho de sangue, na continuação, à medida que o número de mortes dispara, os participantes só se interessam por questões táticas.

    O filme ganha ímpeto e corre para um final vigoroso, que naturalmente prepara o terreno para a parte 3 (ou melhor dizendo, parte 3a). Mas a nova história não oferece o mesmo senso de satisfação que sua predecessora.

    É possível sentir a dinâmica de uma série borbulhando sob a superfície, o que faz do segundo "Jogos Vorazes" menos que um prato completo e mais um aperitivo, que despertará o apetite de sua audiência quanto a novos episódios, mais substanciosos.

    Tradução de PAULO MIGLIACCI

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