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    Crítica: 'Era Uma Vez em NY' é o melhor filme do ano

    SÉRGIO ALPENDRE
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    11/09/2014 02h33

    Sejamos assertivos: "Era Uma Vez em Nova York", quinto longa-metragem do cineasta americano James Gray, é o melhor do ano até aqui, e será difícil algum outro filme tirá-lo dessa posição.

    O título brasileiro pode soar tolo num primeiro momento, pois não há muito que se assemelhe a um conto de fadas, registro normalmente associado ao "era uma vez".

    Mas é uma solução mais eficaz do que "A Imigrante", pois este título destruiria a ambiguidade do original, "The Immigrant", que tanto pode se referir a um homem quanto a uma mulher.

    Isso acontece porque o filme tem o protagonismo dividido entre dois imigrantes: a recém-chegada polonesa Ewa Cybulska (Marion Cotillard, ganhadora do Oscar por "Piaf", em seu melhor momento) e o trambiqueiro Bruno Weiss (Joaquin Phoenix), que já estava devidamente instalado na América.

    Divulgação
    Os imigrantes Bruno Weiss (Joaquin Phoenix) e Ewa Cybulska (Marion Cotillard) em 'Era Uma Vez em NY'
    Os imigrantes Bruno Weiss (Joaquin Phoenix) e Ewa Cybulska (Marion Cotillard) em 'Era Uma Vez em NY'

    Com a irmã sofrendo de tuberculose e sob risco de deportação, Ewa não está em condições de recusar ajuda. Protegida por Bruno, ela encontra um meio de ficar no país. Como contrapartida, é levada (embora nunca forçada) a um trabalho que envolve dança e prostituição.

    Quando aparece Orlando, o mágico galanteador vivido por Jeremy Renner, o coração conturbado de Ewa pende para o seu lado. Afinal, dele vem a magia, enquanto o outro é responsável por sua degradação. Mas as coisas não são simples como se insinuam.

    James Gray (dos igualmente sublimes "Caminho Sem Volta" e "Amantes") vem desenvolvendo uma carreira impressionante. Seu estilo conjuga o melhor do clássico e do barroco no cinema.

    Trabalhando quase sempre com a horizontalidade do formato scope (a exceção é "Os Donos da Noite"), é mestre na dramatização dos desvios e obstáculos de imigrantes dentro da sociedade americana.

    Como sempre em seu trabalho, não há mocinhos ou vilões. Todos são vítimas das circunstâncias. Todos manipulam ou vampirizam por necessidade, e podem ser manipulados ou vampirizados também. Agem com crueldade por não encontrar (ou conhecer) outra maneira de agir.

    Num terreno em que as maldades de um estão espelhadas nas maldades de outro, e a ambiguidade humana é escancarada, o longa se encerra obrigando o espectador a rever seus próprios conceitos. Tanto em relação ao filme quanto em relação ao que se espera do cinema.

    ERA UMA VEZ EM NOVA YORK
    (THE IMMIGRANT)
    DIREÇÃO James Gray
    PRODUÇÃO EUA, 2013
    ONDE Caixa Belas Artes, Cine Livraria Cultura, Cinépolis Iguatemi Alphaville, Cinépolis JK Iguatemi, Espaço Itaú - Frei Caneca, Espaço Itaú - Pompeia, Kinoplex Itaim, Reserva Cultural
    CLASSIFICAÇÃO 14 anos
    AVALIAÇÃO ótimo

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