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    Filme de Terrence Malick reforça sensação de déjà vu

    PEDRO BUTCHER
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BERLIM

    10/02/2015 02h30

    Depois de realizar dois filmes que o colocaram entre os responsáveis pela revolução do cinema norte-americano na década de 1970 ("Terra de Ninguém", 1973, e "Cinzas do Paraíso", 1978), Terrence Malick se retirou de cena e permaneceu recluso durante 20 anos.

    Só voltou em 1998, quando lançou o belo filme de guerra "Além da Linha Vermelha".

    Desde então, Malick passou da condição de cineasta bissexto a um dos mais produtivos da atualidade. É quase um Woody Allen, com novos filmes em intervalos relativamente curtos.

    Seu novo longa, "The Knight of Cups" (o cavaleiro de copas), destaque da competição de Berlim, parece encerrar –assim esperamos– uma trilogia que se iniciou com "A Árvore da Vida" (2011) e prosseguiu com "Amor Pleno" (2012).

    Melinda Sue Gordon/Divulgação
    Christian Bale e Natalie Portman no filme 'Knight of Cups', de Terrence Malick
    Christian Bale e Natalie Portman no filme 'Knight of Cups', de Terrence Malick

    Os três filmes guardam exatamente a mesma estrutura: um protagonista masculino (vivido, respectivamente, por Brad Pitt, Ben Affleck e Christian Bale), um som fortemente trabalhado (em que os diálogos quase se ausentam para dar lugar a uma narração em off e uma trilha musical) e imagens fluidas, captadas por câmeras digitais, que dão ao conjunto uma sensação de sonho e delírio.

    "The Knight of Cups" traz pouquíssimas diferenças em relação aos seus precedentes –a primeira delas é o cenário (Los Angeles, com passagens por LasVegas), e a segunda é uma presença mais forte de personagens femininos, com direito a participações de Cate Blanchett e Natalie Portman.

    De resto, somos convidados a embarcar numa viagem muito semelhante a dos outros dois filmes, em que acompanhamos uma espécie de questionamento espiritual do protagonista.

    No caso, um homem que viveu o sucesso e o hedonismo da indústria do entretenimento, mas que de repente se deu conta do "imenso vazio" que é sua vida, como explicou Christian Bale na coletiva que se seguiu ao filme.

    Como em "A Árvore da Vida", que em determinados momentos se permitia devaneios inesperados com imagens de dinossauros e voos pelo sistema solar, "The Knight of Cups" traz belíssimas imagens da aurora boreal vista do espaço.

    Mas essas imagens terminam só por reforçar a sensação de déjà vu, de um mesmo filme que vem se repetindo infinitamente. (pb)

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