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    Marina and The Diamonds vem a SP com show 'maduro'

    SILAS MARTÍ
    DE SÃO PAULO

    28/03/2015 02h05

    Ela já é uma fruta madura, pronta para virar vinho. Marina Diamandis, a cantora britânica que ficou famosa como Marina and The Diamonds, vai montar um "jardim elétrico" no palco do Lollapalooza agora em São Paulo para mostrar as músicas de seu terceiro disco, "Froot", corruptela de fruta em inglês.

    Na canção que dá nome ao álbum, ela canta que está vivendo a "dolce vita", cresceu ao longo dos verões e, "roliça e madura", pode ser colhida.

    Divulgação
    A cantora Marina Lambrini Diamandis
    A cantora Marina Diamandis, da banda Marina and the Diamonds

    Talvez tenha a ver com o seu amadurecimento nos últimos cinco anos. Diamandis, 29, despontou na cena musical em 2010 com o pop fácil de músicas como "Hollywood" e faixas um tanto pretensiosas como "I Am Not a Robot".

    Desde cedo, chamava a atenção o apelo visual atrelado à música. Nos clipes, ela encarnava de cheerleader a uma criatura nua e purpurinada. Logo veio a fase rebelde, quando tingiu os cabelos de loiro e quase ficou careca –tudo em nome do alter ego Electra Heart, que também batizou seu segundo disco.

    Mas a Marina and The Diamonds que vem agora ao país é um ser menos mutante, dizendo já ter "matado Electra Heart com remédios para dormir" e encontrado um lugar só seu na música e no palco.

    Também dispensou produtores badalados que trabalharam em seus primeiros discos, como Diplo e Greg Kurstin, para construir seu trabalho mais pessoal até agora.

    "Não tenho interesse em ser uma estrela do pop", diz a cantora. "Sei que não sou uma figura das massas, mas também não sou nada cult."

    De fato, é o caráter híbrido de Marina que parece distanciar sua música do panteão de mesmices do pop. Há referências claras, em especial as cantoras cheias de atitude que ela diz admirar, como Shirley Manson, do Garbage, PJ Harvey e Annie Lennox.

    E também há toques de pura fantasia, aliados a um visual ao mesmo tempo retrô e plastificado, que lembra Katy Perry nos momentos menos inspirados e Róisín Murphy, ex-Moloko, quando capricha.

    Ou seja, em certos aspectos Marina, como artista, ainda está se descobrindo, como uma menina que prova escondida as roupas da mãe. Não à toa, críticos já disseram que suas músicas todas falam de adolescência tardia, ou da chegada à fase adulta da vida.

    MULHERES ABRASIVAS

    "Nunca penso em estar ficando mais velha, mas vejo cada disco como um capítulo da minha vida", diz Marina. "É minha forma de documentar as coisas, construir uma crônica. Mas não faço nada só porque tenho uma turnê marcada. Gosto das anomalias, dessa atitude sem compromisso de mulheres que se deixam ser abrasivas."

    Seu espectro de referências, aliás, espelha a gama vocal que ela exibe nas canções, dos agudos estridentes de uma Kate Bush setentista ao vozeirão que míngua e às vezes explode de Fiona Apple.

    Marina canta bem e fez de seu maior trunfo um passeio desinibido entre o mundo indie, com todas as suas idiossincrasias, e o universo pop. Ela gosta de dizer que não é uma estrela pop, mas uma artista pop. Nesse sentido, diz estar longe de Beyoncé, Katy Perry, Lady Gaga e afins.

    Mas a embalagem plástica de suas canções, embora haja lampejos mais originais aqui e ali, não se desvencilha dos truques e artimanhas das divas que querem ser divas.

    No palco, ela pode ser virginal e instantes depois virar uma femme fatale descontrolada. Madonna, mesmo nunca citada pela cantora em entrevistas, é uma referência visual incontestável, das roupas da fase "Like a Virgin" que já usou ao clipe de "I'm a Ruin", uma "homenagem visual" para não dizer plágio, de "Frozen", da americana.

    Quando subir ao palco em São Paulo, extasiada por cantar num país tropical com um repertório que para ela tem algo de colorido e ensolarado, Marina talvez mostre melhor a tal maturidade alcançada.

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