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    Óperas no Municipal narram tormento kafkiano e morte de García Lorca

    GISLAINE GUTIERRE
    DE COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    22/04/2015 02h17

    Gianfrancesco Guarnieri já era conhecido como um dramaturgo politizado, autor da peça "Eles Não Usam Black-Tie", quando, em 1962, seu pai, Edoardo Guarnieri, regeu no Theatro Municipal do Rio a ópera "Um Homem Só", com libreto escrito pelo filho e música de Camargo Guarnieri.

    Uma nova montagem dessa ópera estreia nesta quarta (22) no Theatro Municipal de São Paulo, fazendo dobradinha com "Ainadamar", do argentino Osvaldo Golijov, cujo libreto remete ao assassinato do poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898-1936) por forças antirrepublicanas no início da Guerra Civil Espanhola (1936-39).

    Nas seis récitas, com o maestro chileno-suíço Rodolfo Fischer diante da Sinfônica Municipal, o protagonista José, de "Um Homem Só", será um sujeito às voltas com conflitos pessoais. Interpretado pelo barítono Rodrigo Esteves, o personagem acorda de um "pesadelo kafkiano", abandonado por todos e injustiçado. "Quanto mais ele procura as pessoas, mais fica sozinho", diz o diretor cênico e de luz, Caetano Vilela.

    Heloisa Ballarini/Secom
    A cantora Marisú Pavón, que interpreta Margarita Xirgu, e o contratenor Luigi Schifano, como Federico García Lorca em cena de "Ainadamar"
    A cantora Marisú Pavón e o contratenor Luigi Schifano, como García Lorca, em cena de "Ainadamar"

    Para expor esse tormento, ele buscou referências no expressionismo alemão e fez um cenário com rampas e prédios tortos. Nele, José nunca está confortável.

    "Ainadamar", por sua vez, terá efeitos sonoros e reprodução de trechos da propaganda franquista no rádio. O ator Jarbas Homem de Mello será um alter ego de Lorca, papel também do contratenor italiano Luigi Schifano.

    A soprano argentina Marisú Pavón faz Margarita Xirgu (1888-1969), atriz que fez "Marina Pineda" e outras peças de Lorca. A ópera segue o fluxo de suas lembranças.

    "A morte de Lorca é encenada três vezes", diz Vilela. Em uma delas, há uma chuva de livros –recurso que ele havia usado na peça "Travesties", em 2010. Doze bailarinos dançarão flamenco, em coreografias de Marco Berriel.

    ÍNDIOS

    Outra ópera brasileira que entra em cartaz na quarta (22), no Theatro São Pedro, é "Poranduba", de Edmundo Villani-Côrtes, inspirada em contos indígenas. Serão seis récitas com a orquestra da casa regida por André dos Santos.

    UM HOMEM SÓ / AINADAMAR
    QUANDO qua. (22), sex. (24), ter. (28), qui. (30) e sáb. (2/5), às 20h; dom. (26), às 18h
    ONDE Theatro Municipal de São Paulo, pça. Ramos de Azevedo, s/nº, tel. (11) 3053-2090
    QUANTO R$ 50 a R$ 120
    CLASSIFICAÇÃO 10 anos

    PORANDUBA
    QUANDO qua. (22 e 29), sex. (24 e 1º/5), às 20h, dom. (26 e 3/5), às 17h
    ONDE Theatro São Pedro, r. dr. Albuquerque Lins, 207, tel. (11) 3667-0499
    QUANTO R$ 30 a R$ 70
    CLASSIFICAÇÃO 8 anos

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