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    crítica

    'Perfume de Mulher' é correto, mas está longe de ser clássico

    ANDRÉ BARCINSKI
    ESPECIAL PARA A FOLHA

    25/04/2015 02h14

    Quando filmou "Perfume de Mulher", Al Pacino era um dos maiores injustiçados do Oscar. Ele havia sido indicado seis vezes, incluindo clássicos como "O Poderoso Chefão" (1972) e "Um Dia de Cão" (1975), mas sempre saíra da festa de mãos abanando.

    "Perfume de Mulher" deu a Pacino seu primeiro (e único) Oscar. Na disputa de 1992, o ator fora indicado em duas categorias: melhor ator por "Perfume de Mulher", concorrendo com nomes fortes como Denzel Washington ("Malcolm X"), Clint Eastwood ("Os Imperdoáveis") e Robert Downey Jr. ("Chaplin"); e melhor ator coadjuvante por "O Sucesso a Qualquer Preço".

    A vitória por "Perfume de Mulher" foi uma espécie de prêmio de consolação para Pacino, um tributo ao conjunto de sua obra. Porque sua performance naquele filme não se comparava às atuações como Mike Corleone em "O Poderoso Chefão" ou Sonny Wortzik em "Um Dia de Cão". Mas era o ano de Pacino, e ele levou a estatueta.

    Divulgação
    Al Pacino e Gabrielle Anwar em cena do filme 'Perfume de Mulher', de Martin Brest. Foto: Divulgação
    Al Pacino e Gabrielle Anwar em cena do filme 'Perfume de Mulher', de Martin Brest. Foto: Divulgação

    Agora, "Perfume de Mulher" volta aos cinemas, na mostra Clássicos Cinemark. E, se a iniciativa de reapresentar filmes antigos na tela grande é louvável, o fato de alguém considerar "Perfume de Mulher" um clássico é, no mínimo, preocupante.

    O filme de Martin Brest é uma refilmagem correta, mas nada brilhante, de um longa italiano bem melhor, "Profumo di Donna", dirigido em 1974 por Dino Risi.

    Na refilmagem, Chris O'Donnell interpreta Charlie Simms, um estudante que arruma um emprego como ajudante de um militar aposentado e cego chamado Frank Slade (Al Pacino), um sujeito de temperamento violento e sérios problemas com álcool.

    O filme vira um "road movie" cômico e melancólico quando Slade leva o pupilo para Nova York, onde o constrange com seus modos rudes e diz planejar suicídio.

    Para mostrar como Frank é "mucho loco", o roteiro o coloca dirigindo uma Ferrari e depois enganando um policial que o para por excesso de velocidade e que não nota a cegueira de Frank.

    Ao longo do filme, mestre e pupilo tornam-se amigos. Frank defende Charlie quando a escola ameaça expulsá-lo por não entregar colegas de classe envolvidos em uma brincadeira com o diretor da escola (um dos alunos é Philip Seymour Hoffman, novinho).

    Resumindo: "Perfume de Mulher" é um bom filme, mas está muito longe de ser um clássico. Pacino tem pelo menos uma dúzia de papéis melhores e claramente venceu o Oscar por interpretar um cego –a Academia adora personagens com dificuldade física. Além do mais, a Academia lhe devia um premiozinho.

    PERFUME DE MULHER
    (SCENT OF A WOMAN)
    DIREÇÃO Martin Brest
    ELENCO Al Pacino e Chris O'Donnell
    PRODUÇÃO EUA, 1992, livre
    QUANDO sáb. (25), dom. (26) e qua. (29)
    ONDE cinemas da rede Cinemark (conferir salas e horários em cine mark.com.br/classicos-cinemark)
    AVALIAÇÃO bom

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