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    Enlatado, 'Qualquer Gato Vira-Lata 2' se perde em trama batida e piadas gastas

    CÁSSIO STARLING CARLOS
    DE SÃO PAULO

    04/06/2015 02h30

    Atenção: este é mais um texto de crítico implicante com a má qualidade das comédias brasileiras que atraem milhões na bilheteria. Logo, se você faz parte da legião que as considera engraçadíssimas, poupe-se do mau humor.

    Talvez o sucesso pré-programado do gênero seja efeito de um marketing massacrante ou de algum hipnotismo que leva as massas a só consumirem o mesmo tipo de filme num looping eterno.

    Difícil é compreender a lógica do riso nas piadas gastas e repetidas à exaustão, como se vê, mais uma vez, em "Qualquer Gato Vira-Lata 2".

    Pode-se entender que a mão de Roberto Santucci na direção crie esse efeito. Os produtores devem ver em Santucci, responsável por nove em cada dez comédias brasileiras com resultados extraordinários de bilheteria, um rei Midas do humor e obedecem à regra que manda não mexer em time que está ganhando.

    O modelo de fazer filmes como se fazem salsichas também tem a ver com o resultado. Por isso, assistir a essas comédias torna-se semelhante ao vício brasileiro de seguir novelas. Se alguém ficar 20 anos sem ligar a TV e, um dia, der uma espiada num capítulo, pode acreditar que passou duas décadas criogenizado.

    O público massivo que consome TV é o alvo das comédias de cinema (e que em poucas semanas serão exibidas a toda hora na TV). Para que, então, fazer diferente?

    O 2 no título da retomada de "Qualquer Gato Vira-Lata" (2011), que já era a transposição para o cinema de um grande sucesso no teatro, reitera o princípio da repetição.

    Os mesmos personagens e atores são levados para um cenário de resort paradisíaco no México. Nesse ambiente "diferenciado", acompanhamos as peripécias do eterno desacerto entre o que querem as mulheres (sempre loucas pra casar) e o comportamento dos homens (que são de Marte... e é pra lá que eu vou).

    Se o combo esvaziar rápido ou a bexiga encher demais, não faz diferença sair em busca de soluções, pois a trama também se repete e estica para impedir a sensação de que perdemos alguma coisa.

    Em meio a um mar de marketing indireto, a participação de Fabio Jr. fazendo o papel de pai de Cleo Pires não deixa de ser original.

    QUALQUER GATO VIRA-LATA 2
    DIREÇÃO: ROBERTO SANTUCCI E MARCELO ANTUNEZ
    ELENCO: CLÉO PIRES, DUDU AZEVEDO E MALVINO SALVADOR
    PRODUÇÃO: BRASIL, 2014, 12 ANOS
    QUANDO: ESTREIA NESTA QUINTA (4)

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