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    Daniela Mercury exalta a beleza da negritude em show na Júlio Prestes

    ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
    DE SÃO PAULO
    NAÍLA BARBOSA DA COSTA
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    20/06/2015 22h04

    "É agora ou nunca, libera minha mulher!", gritava uma fã travesti de Daniela Mercury, debruçada na grade do palco Júlio Prestes.

    Seu pedido foi uma ordem: às 21h15, com 15 minutos de atraso, a cantora baiana começou sua cantoria com "Swing da Cor" ("não me abandone/ não me desespere"). Tinha companhia no palco: um dançarino negro e careca com um vestido vermelho de saia rodada e malha bem apertada na parte de cima.

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    Ela reclamou mais de uma vez de falhas técnicas no ponto eletrônico que usava: "Não estou ouvindo nada. Não ouço minha voz. Faz parte. Festival é assim".

    Acrescentou depois: "Continuo cantando em braile. Tá distorcendo todo o som ".

    Com tomara que caia curto (preto com listras verticais brancas) e luvas até o cotovelo (uma vermelha, outra azul), Mercury louvou "a beleza da negritude" e chamou São Paulo de "a cidade que consagrou o axé no Brasil". A atração lotou, mas o espaço não ficou intransitável —como em edições anteriores.

    De cima de um prédio, o fotógrafo Danilo Verpa da Folha avistou um arrastão do lado direito do palco, com cerca de 30 participantes. Eles saíram correndo por trás do palco no sentido rua Mauá.

    Fora cerveja e vinho, batidas azuis de hortelã (R$10, ou R$ 5 se o cliente chorasse) fizeram a alegria da plateia.

    NEGRITUDE

    "Macumba é coisa boa", disse mais adiante, exaltando a "ancestralidade negra" de religiões afrobrasileiras. "O povo que não aceita a beleza de ser negro não prospera."

    Lembrou também Margareth Menezes, a quem substituiu de última hora. "Espero que ela esteja bem para a próxima Virada." Menezes cancelou sua participação no evento.

    Mercury também chamou a cantora Márcia Castro ao palco. Juntas, homenagearam "os pagodeiros da Bahia, Xanddy, a turma do Tchan". A dupla emendou "Lepo Lepo", do Psirico.

    "Esta música é a cara deste ano", disse Castro sobre o melô do cara que não tem carro nem teto.

    Mercury terminou a apresentação às 23h com o quarteto: "Rapunzel", o axé que fala do "amor de Julieta e Romeu" que é "igualzinho ao meu e seu"; "A Rainha do Axé", espécie de cartão de visitas musical: "Eu não sou a Cinderela nem adormecida bela, eu sou a Daniela, a rainha má"; "Maimbê Danda", do "look laquê que mandei cachear"; e a clássica "O Canto da Cidade".

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