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    Recitais apresentam o popular e o erudito dos violões do Duo Assad

    GISLAINE GUTIERRE
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    17/07/2015 02h15

    Sérgio Assad tinha 12 anos e nenhuma noção da dimensão que era estrear o duo de violões com seu irmão Odair, então aos 8, no programa "Bossaudade", na TV Record, tocando ao lado de um ícone como Jacob do Bandolim.

    Era um começo auspicioso do Duo Assad, que depois iria praticamente definir a cena dos violões no Brasil. Cinquenta anos se passaram, e a dupla, cujo trabalho tem sido destacado por publicações estrangeiras, como o jornal americano "The Washington Post", faz duas apresentações comemorativas: no 46º Festival de Inverno de Campos do Jordão, na sexta (17), e no sábado (18), na Sala São Paulo.

    Divulgação
    Duo Assad, formado pelos irmãos Sérgio (esq.) e Odair.
    Duo Assad, formado pelos irmãos Sérgio (esq.) e Odair, que comemoram 50 anos de carreira.

    "Parece que a gente trilhou esse caminho direto, como um animal que corre e não olha para o lado", afirma Sérgio.

    Após uma breve pausa, comenta que a vida do Duo Assad se dividiu entre a época em que moravam no Brasil e depois no exterior, a partir de meados dos anos 1980. E na década seguinte, quando ganharam visibilidade com parcerias com o violoncelista francês Yo-Yo Ma e o saxafonista e clarinetista cubano Paquito D'Rivera.

    Hoje, Sérgio mora nos EUA, e Odair, na Bélgica.

    "No Brasil, vivemos um período de incertezas, a gente não sabia para onde ir", conta Sérgio, que lembra ter ouvido coisas como "Radamés Gnattali era um zero" e "tocar Egberto Gismonti é ridículo". "Tinha que tocar serialismo, dodecafonismo. Era quase uma tirania", diz.

    Fora do país, porém, encontraram um público ávido por essa música brasileira trabalhada com os arranjos requintados. E se há alguma dúvida de que romperam as fronteiras entre popular e erudito, o disco "O Clássico Violão Popular Brasileiro", que celebra os 50 anos da dupla, soa como resposta.

    Muitas dessas faixas serão tocadas no festival. O recital terá, na primeira parte, por exemplo, Albéniz ("Contos de Espanha, Op. 232: Córdoba") e Piazzolla ("Suíte Troileana: Bandoneón e Zita").

    Na segunda, o duo fará um "tributo ao violão brasileiro", com mestres como João Pernambuco ("Interrogando"), Canhoto ("Abismo de Rosas") e Baden Powell ("Tempo Feliz").

    DUO ASSAD
    QUANDO sex. (17), às 20h30, em Campos do Jordão; sáb. (18), às 16h30, em São Paulo
    ONDE Auditório Cláudio Santoro, av. Dr. Luís Arrobas Martins, 1.800, Campos do Jordão, tel. (12) 3662-6000; Sala São Paulo, praça Júlio Prestes, 16, tel. (11) 3223-3966
    QUANTO R$ 50
    CLASSIFICAÇÃO 7 anos

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