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    crítica

    Sem reduzir adolescentes a idiotas, filme desmonta preconceitos

    CÁSSIO STARLING CARLOS
    CRÍTICO DA FOLHA

    30/07/2015 02h14

    Os filmes recentes para adolescentes têm levado muito a sério a ideia de que aos 15 anos tudo é para sempre. "D.U.F.F." tem a vantagem de tomar a direção contrária.

    A comédia adapta o livro homônimo da americana Kody Keplinger, que trata das típicas dificuldades de Bianca, uma jovem fora do padrão.

    Uma busca pelo nome da escritora no Google revela um tipo de físico que costuma ser alvo de bullying, antes, durante e depois do ensino médio, e indica que Bianca deve ser a autora refletida na ficção.

    Bianca logo descobre que é uma D.U.F.F., acrônimo para a expressão em inglês "Designated Ugly Fat Friend", que em português soa ainda mais ofensiva como a "típica amiga feia e gorda".

    Divulgação
    A atriz Mae Whitman no papel da 'típica amiga feia e gorda
    A atriz Mae Whitman no papel da 'típica amiga feia e gorda'

    Ou seja, a menina sem graça que tem amigas lindas e é usada como trampolim para chegar nas outras, já que, por ser feia, ela é mais fácil. Ou aquela que não pega nada e compensa tirando as melhores notas e se tornando no gosto e na aparência mais estranha ainda.

    O apelido vale também para meninos magricelas, góticos, gays, professores e até carros, pois a(o) D.U.F.F. é comum a todo grupo, o desvio do modelo que valoriza o que está ao lado.

    Em vez de adotar o ponto de vista da vítima e assumir o tom rancoroso de denúncia, "D.U.F.F." prefere desmontar o preconceito por meio de risadas.

    Quando Bianca se torna alvo de cyberbullying, o filme mostra os vícios virtuais de cada colega, a mania de viralizar e a obsessão com o tamanho do eu nas redes de um ângulo divertido, que expõe a maioria ao ridículo.

    Sem reduzir os adolescentes a idiotas nem protegê-los com a aura de criaturas mais especiais que todas, "D.U.F.F." trata seus personagens seguindo o mestre dos "teen-movies", John Hughes: como diferentes, mas sem levá-los muito a sério.

    Pena que no final, quando decide passar uma mensagem do tipo "os desajustados também amam", o filme adote a linguagem dos manuais de autoajuda e esqueça que quem ri por último, ri melhor.

    D.U.F.F.
    QUANDO: ESTREIA NESTA QUINTA (30)
    ELENCO: MAE WHITMAN, ROBBIE AMELL, BELLA THORNE
    PRODUÇÃO: EUA, 2015, 12 ANOS
    DIREÇÃO: ARI SANDER

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