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    CRÍTICA

    Queen com Adam Lambert parece uma atração de circo

    TETÉ RIBEIRO
    EDITORA DA "SERAFINA"

    18/09/2015 02h15

    Ver o Queen na quarta (16), no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, era um acerto de contas com minha biografia. Nas outras vezes que a banda veio ao Brasil eu era muito nova. Lembro a comoção, os primos mais velhos contando como foi, a sensação de perder a festa.

    A versão de "Love of My Life" do Rock in Rio, em que o público cantou a letra deixando Freddie Mercury perplexo, comprovava minha suspeita, eu tinha ficado de fora de um grande acontecimento.

    Nos meses anteriores ao show de agora, que será repetido nesta sexta (18) no Rock in Rio, ouvi mais Queen do que nunca. Estava animada. Freddie Mercury é insubstituível, mas Adam Lambert tinha tudo para ocupar seu lugar com dignidade.

    Avener Prado/Folhapress
    SÃO PAULO, SP, BRASIL, 16-09-2015: –Show Queen + Adam Lambert” no ginásio do ibirapuera. A parceria entre o lendário grupo de rock e um dos mais talentosos cantores da nova geração chega ao Brasil com a turnê “Don’t Stop Them Now. (Foto: Avener Prado/Folhapress, ILUSTRADA) Código do Fotógrafo: 20516 ***EXCLUSIVO FOLHA*** ORG XMIT: 20516
    Adam Lambert se apresenta com o Queen no ginásio do ibirapuera

    Ex-American Idol, ele não ganhou a competição, mas virou a grande promessa. Voz linda, tatuado, abertamente gay, rebelde, tinha aquela atitude "maior que a vida". Parecia um mini Freddie Mercury mesmo, versão 2.0.

    Foi na competição que conheceu os dois remanescentes do grupo, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor –o terceiro, o baixista John Deacon, não participa mais da banda. Adam cantou acompanhado da dupla e ficou maravilhoso, parecia que dava para segurar um show.

    E dá. Só não fica bom. O menino é esforçado, canta bem. Mas não basta, e não importa quantas caretas ele faz para a câmera, nem a champanhe que vira no gargalo e depois cospe na plateia. No final, é tudo pose. Não tem perigo em Adam Lambert, e isso é um crime no rock.

    O melhor episódio da noite aconteceu sem que ele estivesse no palco. Foi quando Brian May fez uma versão acústica de "Love of My Life" e disse ao público que aquela música era dos brasileiros. Ele quase não canta, mas sabia que podia contar com a plateia.

    Confira uma playlist do Queen pré-Rock in Rio

    Playlist - Queen

    Os outros bons momentos aconteceram só porque as músicas eram boas demais. Os dois originais da banda fizeram solos longuíssimos. Parte chata de qualquer show.

    Mas o que mais incomodou foi notar o esforço do vocalista para se enquadrar no estereótipo de uma estrela do rock. Acabou algo entre uma atração de circo e um personagem de peça infantil.

    Como você se vestiria para fingir que é rockstar? Roupas justas pretas, um toque de brilho e uma botinha com salto? Foi a primeira opção. Jaqueta jeans sem manga e calça branca agarrada? Era a segunda. Por fim, de oncinha, com uma coroa e embrulhado em uma bandeira do Brasil.

    Parecia piada. Ele suou muito no abafado ginásio do Ibirapuera (escolha discutível), e o rímel lá, impávido.

    Uma hora, o telão mostrou uma imagem de Freddie Mercury. Ele estava de calça branca folgada e uma camiseta mal ajambrada. A roupa é o de menos, Adam Lambert. E o que importa, infelizmente, você ainda não tem.

    Saí de casa com o sonho de voltar a ser criança por duas horas e vinte e pagar minha dívida com o rock. Ela continua.

    QUEEN + ADAM LAMBERT

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