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    Psicanalista Luiz Alfredo Garcia-Roza cria literatura de crime tropical

    MAURÍCIO MEIRELES
    COLUNISTA DA FOLHA

    15/10/2015 02h55

    Há quem diga que "Édipo Rei", a tragédia de Sófocles, antecipa a estrutura da literatura de mistério. Nela, o povo sofre com uma praga dos deuses, porque alguém matou o próprio pai e foi para a cama com a mãe. Quem é o criminoso? A plateia monta o quebra-cabeças e descobre (spoiler milenar): o assassino incestuoso é o próprio protagonista.

    Visto por esse ângulo, não deveria parecer estranho que Luiz Alfredo Garcia-Roza, psicanalista de renome, um dos decanos do curso de psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tenha deixado a academia para ser autor policial.

    Depois de décadas de carreira na universidade, o autor apareceu, em 1996, com o romance "O Silêncio da Chuva" –e já faturou os prêmios Nestlé e Jabuti com a obra. O velho professor viu que o crime compensa.

    O protagonista que nasceu ali, o introspectivo delegado Espinosa, titular do 12º DP, em Copacabana, foi batizado com o nome do filósofo holandês homônimo. Espinosa é um sujeito íntegro, mas cheio de defeitos demasiado humanos. Ele é o protagonista de dez dos 11 romances de Garcia-Roza.

    É o caso de "Uma Janela em Copacabana", que agora chega a televisão, mas também de "Céu de Origamis", "Achados e Perdidos" e "Um Lugar Perigoso", entre outros. Todos publicado pela Companhia das Letras.

    São obras em que um local, Copacabana, surge como personagem. Espinosa circula por lugares icônicos do bairro carioca, famoso por sua fauna humana. O protagonista, aliás, é um típico carioca –com ele, Garcia-Roza ajuda a criar uma literatura de crime tropical.

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