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    Lina Kim desenha caos harmonioso de SP em volta ao Brasil para exposição

    NINA RAHE
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    04/11/2015 02h47

    Há doze anos vivendo em Berlim, Lina Kim, 50, diz que se tornou uma artista mais simples. Para ela, lidar com a precisão alemã em contraponto ao caos brasileiro a deixou mais flexível: "Um precisa do outro", explica.

    A paulistana, que foi embora do país um ano após sua participação na Bienal de São Paulo, em 2002, na qual apresentou "Cry me a River" –instalação em que baldes e camisas de força preenchiam uma sala–, está agora em mostra individual na Casa Nova, em São Paulo, onde ocupa as paredes do espaço com séries de desenhos feitos em nanquim, lápis e guache.

    "Já fiz instalações gigantes. É infinito até onde você pode ir, mas uma hora é preciso dar um 'restart'", diz a artista, corrigindo-se em seguida: "Mas é uma simplificação relativa, porque o desenho é complexo", afirma ela apontando para "São Paulo Composition".

    Adriano Vizoni/Folhapress
    SAO PAULO - SP - BRASIL, 15-10-2015, 16h20: LINA KIM. Retrato da artista Lina Kim, que abre exposicao em Sao Paulo após mais de uma decada fora. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress, ILUSTRADA) ***EXCLUSIVO FSP***
    A artista Lina Kim, que abre exposição em São Paulo após mais de uma década fora do país

    Nesta série, em homenagem à metrópole pela qual se declara apaixonada, Lina desenha partituras de forma vertical, sugerindo um deslocamento do olhar. O emaranhado de linhas que compõe o desenho não chega, em nenhum momento, a se sobrepor. Segundo a paulistana, é como se existissem pequenas gentilezas no meio do caos.

    Apesar das visitas frequentes à cidade natal e de ter exposto em 2014 em mostras coletivas no Instituto Moreira Salles e no Museu de Arte Moderna do Rio, a artista não realizava uma exposição individual no Brasil há sete anos.

    "Houve propostas durante esse tempo, mas não tive a intensidade necessária. Não dá para mover montanhas", justifica a artista, comemorando a realização desta mostra.

    "A minha geração não teve tanto contato com o trabalho da Lina porque ela parou de expor no Brasil", explica Adriano Casanova, 30, proprietário da galeria.

    O trabalho da paulistana de ascendência coreana, de forte relação com a arquitetura, ganha aqui uma ambientação mais íntima, quase doméstica, com desenhos situados em cima de uma lareira, próximos à escada do espaço expositivo ou mesmo nas paredes da sala de jantar da Casa Nova, caso da série "Waves" –nela, paisagens com inspiração na Amazônia cobrem o fundo de caixas Kodak.

    No mesmo ambiente, jogada em uma cadeira ao canto, está uma solitária camisa de força que já habitou outra instalação da artista. Ainda que Lina esteja se dedicando ao desenho, é a prova de que "tudo está ligado".

    "Todos os trabalhos são sobre fluidez. Não mudei minha forma de pensar, apenas me adaptei a novas situações."

    PAISAGEM CEGA E OUTRAS ESTÓRIAS
    ARTISTA Lina Kim
    QUANDO segunda a sexta, das 11h às 18h; até 21/11
    ONDE Casa Nova, r. Chabad, 61, tel. 11-2305-2427
    QUANTO grátis

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