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    Abstinência sexual antes do casamento é tema do livro 'Eu Escolhi Esperar'

    RODOLFO VIANA
    DE SÃO PAULO

    16/11/2015 12h00

    Divulgação
    Pastor Nelson Junior, idealizador do 'Eu Escolhi Esperar' Crédito: Divulgação ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
    Pastor Nelson Junior, idealizador do movimento

    "Você não tem que dar para mim na primeira noite", disse o noivo à noiva —ambos virgens— antes do casamento. "Mas da segunda, você não escapa."

    Nelson Junior dá risadas ao lembrar dos preparativos de sua noite de núpcias. "Eu queria tranquilizar a Ângela", explica o idealizador do Eu Escolhi Esperar, movimento de abstenção da vida sexual pré-casamento. No fim de outubro, ele lançou um livro homônimo (Mundo Cristão, R$ 19,90, 160 págs.) para espalhar a ideia.

    Voltado para o aconselhamento de jovens que buscam se manter castos até o casamento —afinal, "Deus inventou o sexo seguro e o chamou de casamento", conforme diz um trecho da obra—, o livro traz um pouco da experiência pessoal de Nelson, que diz sempre ter tido o desejo de ter uma família cedo. "Queria viver as conquistas da minha vida ao lado de uma mulher, e não construir tudo para depois me casar."

    Aos 18, Nelson conheceu Ângela, dois anos mais nova, na Igreja do Nazareno, em Vila Velha (ES). Ele era um rapaz de fé e nunca tinha beijado na boca; ela já tinha namorado.

    Tornaram-se bons amigos, apesar das diferenças que pontuaram a vida de cada um. E apesar das diferenças que pontuaram a vida de cada um, Nelson descobriu "que ela era a mulher ideal para casar".

    No começo, Ângela não queria namorar —a amizade de Nelson lhe bastava. Parou de bastar em 1995, quando ela topou o namoro que chegou ao fim em 31 de janeiro de 1998, quando se casaram.

    Hoje, aos 38 anos, ele diz com orgulho: "Ela foi a única mulher da minha vida."

    SEXO É COISA DE DEUS

    Um trecho do livro "Eu Escolhi Esperar" diz: "Sexo tem dono, e não é o Diabo. A relação sexual é uma criação divina! O que o Diabo fez com o sexo foi uma 'versão pirata', pois toda devassidão e imoralidade sexual é uma cópia barata e falsificada daquilo que Deus criou".

    O movimento e o livro, contudo, não são uma doutrinação, garante Nelson: "O nome 'Eu Escolhi Esperar' tem um propósito: 'eu', porque é algo pessoal; 'escolhi', porque não é uma imposição da igreja ou da sociedade, mas uma decisão particular."

    Apesar de não ser uma imposição, Nelson não acredita que seja possível ter valores morais e religiosos íntegros e, ao mesmo tempo, ser adepto do sexo sem compromisso. "Não condeno, não julgo, mas acho difícil, não acho que sejam pessoas imundas, mas esta é uma via danosa", diz. "Em 18 anos trabalhando com aconselhamento pastoral, percebo que esse tipo de relação traz muito sofrimento emocional."

    Mas abre exceção: "Um casal de namorado tem comprometimento. Se desfrutam do sexo mesmo antes do casamento, não são promíscuas."

    SEXO NA PONTA DA LÍNGUA

    Ângela e Nelson têm duas filhas: Ana Carolina, 8, e Milena, 5. A mais velha já questionou o pai sobre como veio ao mundo. "Não falei nada de cegonha ou sementinha", diz. "Expliquei que 'papai e mamãe têm um momento de intimidade e, quando você casar, você também vai ter'."

    Não tem uma época certa para conversar com os filhos sobre sexo, diz Nelson. "Os pais precisam falar com as crianças assim que elas se interessam pelo assunto. Não pode ser como antigamente, quando a gente ouvia 'isso é conversa de adulto'."

    Ele acredita que, com tanto material a um clique de distância, deixar a orientação sexual de lado é um risco. Apesar disso, nem todos os pais conversam com os filhos sobre sexo. "Tem pai que acha absurdo a filha aprender sobre sexo aos 14 anos", diz.

    "No último fim de semana, em Maceió (AL), o pastor disse: 'Vários irmãos aqui não deixam os filhos adolescentes participarem do evento porque acham inadequado falar sobre o assunto'. Na semana retrasada, em Florianópolis (SC), ouvi a mesma coisa..."

    No meio cristão também existe "esse silêncio quando o assunto é sexualidade". Ele afirma que os líderes religiosos, em sua maioria, não falam sobre o tema. "Algumas igrejas jamais me convidariam [para dar seminário]", diz, sem citar alguma específica.

    OS QUE ESCOLHERAM ESPERAR SÃO MILHARES

    Eu Escolhi Esperar
    Nelson Júnior
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    Por ser um tema tabu em tantas famílias e na religião, Nelson acredita que seu trabalho seja necessário. Seus seminários têm grande adesão do público entre 16 e 24 anos: o idealizador estima que, nos últimos 18 meses, mais de 200 mil tenham assistido às palestras.

    Por mês, a equipe do Eu Escolhi Esperar —Nelson e mais oito pessoas, "além dos terceirizados"— tem, no mínimo, quatro eventos em cidades variadas do Brasil. A divulgação é feita pelas redes sociais —apenas no Facebook, o movimento tem 2,8 milhões de fãs— e os seminários são custeados pela renda dos produtos vendidos no site: uma camiseta com estampa de uma mãozinha com aliança, símbolo do movimento, sai por R$ 34,90; uma pulseira varia entre R$ 8,90 e R$ 9,90; um livro custa entre R$ 19,90 e R$ 34,90...

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