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    Oscar 2016

    Segredo é 'continuar tentando', diz Matt Carroll, repórter do Spotlight

    GIULIA AFIUNE
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BOSTON

    01/03/2016 02h00

    Repórter no "Boston Globe" por mais de duas décadas, Matt Carroll integrou a equipe em "Spotlight". Interpretado por Brian d'Arcy James, Carroll hoje coordena o Future of News Initiative no MIT Media Lab, dedicado a inovações jornalísticas no ambiente digital. Ele falou à Folha por telefone.

    *

    Folha - Como se sente como personagem de um filme que ganhou o Oscar?

    Matt Carroll - Nós pensávamos que "O Regresso" ganharia. Estamos muito gratos e humildes, acho que falo em nome de todo o time, por todos que pudemos ajudar, especialmente os sobreviventes de abuso sexual. E achamos que é uma grande vitória para o jornalismo investigativo.

    Você realmente colocou a foto da casa de um dos padres na sua geladeira?

    Sim, eu coloquei a foto da casa do padre Geoghen na minha geladeira. No filme eles falam que é um outro padre. Ele era o personagem principal de uma das reportagens e ele vivia na esquina da minha casa.

    Em muitos momentos, retratados no filme, parecia que vocês não conseguiriam seguir a investigação. O que os motivou a seguir em frente?

    Uma das coisas do jornalismo investigativo é que você tem que continuar tentando. Se você chegar num beco sem saída, mas tiver tempo, você pode tentar achar diferentes ângulos e direções para abordar uma história. E foi isso que conseguimos fazer: achar um caminho melhor.

    Reprodução/Twitter
    Boston Globe reporter Matt Carroll Foto: Reproducao/TWITTER ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
    O repórter Matt Carroll, que integrou a equipe do Spotlight

    A análise de dados foi o que mostrou como a história era maior do que os casos que vocês tinham, certo?

    O Robbie teve a ideia de olhar nos livros e eu tive a ideia de usar uma planilha para registrar os casos. Assim chegamos a 100 padres. Só que ter os nomes não era confirmação, era uma probabilidade de que eram abusadores. Nós conseguimos provar na maioria dos casos naquela lista, então ela era surpreendentemente exata.

    Por que essas duas narrativas, tanto as reportagens quanto o filme, foram tão poderosas?

    As reportagens atraem as pessoas de um jeito, porque é verdade, porque você está lendo sobre o seu vizinho ou sobre o padre na paróquia do seu bairro, você pode ter um sobrinho que foi abusado. E isso é muito poderoso.
    O filme fez uma abordagem mais popular, mais acessível, porque eles podem brincar um pouco com os fatos.

    O ator [Brian d'Arcy James] te interpretou bem?

    Sim, ele fez um ótimo trabalho. Fiquei muito feliz com o trabalho que ele fez.

    A era digital trouxe muitas possibilidades para o jornalismo, mas também trouxe uma profunda crise financeira. Qual é o lugar do jornalismo investigativo hoje?

    É extremamente importante. Esse foi um dos temas desse filme: o poder do jornalismo investigativo e quão importante ele é. Se não fosse esse trabalho árduo, nós não conseguiríamos fazer as pessoas que estão no poder serem responsáveis por suas ações.

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