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    CRÍTICA

    Em 'Wicked', protagonistas se graduam como novas estrelas

    NELSON DE SÁ
    DE SÃO PAULO

    12/03/2016 02h15

    Em que pese o apelo próprio de algumas canções que marcam o musical de 2003, como "Popular" e sobretudo "Defying Gravity", que fecha de forma arrebatadora o primeiro ato, "Wicked" vive por suas duas protagonistas.

    Pelo carisma torturado da Elphaba de Myra Ruiz, pela ironia contagiosa da Glinda de Fabi Bang e pelas vozes de grande alcance de ambas –com notas que, desde a estreia na Broadway, se tornaram o graal das escolas de musicais.

    A atriz Bibi Ferreira, pioneira na adaptação dos grandes musicais ao país com "My Fair Lady", em 1963, diz ver com orgulho a dedicação e a qualidade da nova geração de artistas formados no gênero.

    Myra e Fabi, que cresceram nos coros paulistanos de "Mamma Mia", "O Fantasma da Ópera" e outros ao longo da última década, são a prova maior. Com "Wicked", elas se graduam como estrelas.

    Aos 23, sem ter passado por outro meio que não o teatro, Myra é aplaudida ao entrar em cena. Obviamente, as duas não são a única qualidade de um espetáculo que atinge com tamanho impacto, não só aqui mas em dezenas de países, os públicos juvenil e adulto.

    Como no "Rei Leão", com o qual disputa a ponta nas bilheterias desde o início, também aqui é a direção original, de Joe Mantello, ator e ótimo diretor off-Broadway, que consegue explorar as deixas dramáticas e cômicas.

    Apoiada na direção residente de Rachel Ripani, a encenação faz esquecer a grandiosidade da cenografia (seus voos) ao se concentrar no elo entre as jovens, indo além dos clichês de adolescência.

    Mas são adolescentes, meninas, o seu público mais extasiado, como ficou claro no fim de semana. Além do contato via YouTube, episódios de "Glee" ou viagens ao exterior, evidencia-se a identificação com as personagens.

    O fenômeno não é diverso do que envolve séries de cinema com protagonistas adolescentes. É um ritual de chegada à idade adulta, respondendo a demandas e angústias.

    Está na letra de "Defying Gravity", com versos como, em tradução livre: "Algo mudou dentro de mim/ Dê-me um beijo de adeus/ Estou desafiando a gravidade/ E você não vai me derrubar".

    É fácil entender como "Wicked" e seu público venceram os esforços da crítica por sua derrubada.

    WICKED
    QUANDO qui. e sex., 21h, sáb., 16h e 21h, dom., 15h e 20h; até 31/7
    ONDE Teatro Renault, av. Brigadeiro Luís Antônio, 411, tel. (11) 4003-5588
    QUANTO R$ 50 a R$ 280
    CLASSIFICAÇÃO 12 anos

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