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    Diretor decide não inscrever 'Boi Neon' para disputar vaga ao Oscar

    SILAS MARTÍ
    DE SÃO PAULO

    24/08/2016 13h58 - Atualizado às 20h00

    Diretor de "Boi Neon", o cineasta Gabriel Mascaro decidiu não inscrever seu filme na disputa pela indicação do Brasil ao Oscar de melhor filme estrangeiro. "Não me sinto confortável em participar de um processo seletivo de interesse público que tem demonstrado imparcialidade questionável."

    Ele se refere à indicação de Marcos Petrucelli, antecipada pela coluna "Sem Legenda", à comissão responsável por escolher o filme brasileiro que pode disputar uma vaga no prêmio americano, que causou controvérsia no meio cinematográfico. O crítico paulistano se manifestou contra o protesto político do elenco de "Aquarius", filme de Kleber Mendonça Filho, no último Festival de Cannes.

    "Espero que encoraje outros filmes brasileiros em situação semelhante a pensar a legitimidade do processo", disse Mascaro, à Folha.

    Divulgação
    Cenas de "Boi Neon"
    Juliano Cazarré em cena do filme 'Boi Neon'

    Elogiado em Cannes, onde estreou, o filme de Kleber Mendonça Filho vinha sendo considerado candidato natural à escolha do país para disputar o Oscar. Mascaro, pernambucano como Mendonça Filho, diz ter decidido tirar seu filme da disputa em solidariedade à recepção politizada em torno de "Aquarius".

    No festival francês, o elenco do filme, que tem Sônia Braga, Maeve Jinkings, entre outros, segurou cartazes dizendo "um golpe de Estado ocorreu no Brasil", em referência ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

    Petrucelli, anunciado mais tarde como integrante da comissão, disse numa rede social que "vergonha é o mínimo que se pode dizer sobre o protesto". A comissão do Oscar, com outros oito integrantes, nega qualquer partidarização no processo seletivo.

    Há duas semanas, o Ministério da Justiça desencadeou outra polêmica envolvendo "Aquarius", ao classificar o filme para maiores de 18 anos, atribuindo a decisão à presença de "sexo explícito e drogas" no longa que estreia em 1º de setembro.

    A distribuidora do filme entrou com recurso, alegando que outros filmes com cenas mais fortes de sexo e uso de drogas receberam classificação de 16 anos, mas o recurso foi negado.

    No decorrer da tarde desta quarta (24), a diretora Anna Muylaert também decidiu cancelar a inscrição de "Mãe Só Há Uma" na disputa.

    OUTRO LADO

    Procurado, Petrucelli disse que não irá comentar o assunto, mas lamentou a decisão. "Não deveriam ter feito isso, porque perderam uma grande oportunidade."

    O Ministério da Cultura divulgou uma nota em seu site, reforçando "a confiança na capacidade e na isenção da comissão escolhida pela Secretaria do Audiovisual.

    "A escolha do filme atende a critérios estritamente técnicos", informou.

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