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    Criadora de 'Girls', Lena Dunham defende a experiência feminina

    MARCELO BERNARDES
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
    EM NOVA YORK

    12/02/2017 02h00

    A atriz, escritora e cineasta Lena Dunham, 30, nunca teve problemas em deixar claro o que Hannah Horvath, seu alter ego da série "Girls", pensa de seu talento como autora. Em 2012, no primeiro episódio da temporada de estreia, foi categórica: "Não quero assustar ninguém, mas acho que sou a voz de minha geração. Ou, pelo menos, a voz de uma geração".

    Neste domingo (12), com a estreia da sexta e derradeira temporada da série simultaneamente nos EUA e no Brasil (a HBO Plus exibe o episódio à 1h de segunda), Hannah mostra que continua a mesma.

    A personagem descreve o maior atributo de sua personalidade: "Tenho forte opinião sobre tudo. Mesmo em tópicos sobre os quais sei pouco a respeito."

    Sem maquiagem, de maria-chiquinha e moletom surrado, Dunham conversou com a Folha.

    *

    Folha - Nunca existiu meio-termo com "Girls". Público e crítica amaram ou odiaram. O que foi conquistado após seis temporadas?
    Lena Dunham - Espero que "Girls" tenha mostrado que mulheres não devem ter vergonha de seus corpos, de exporem suas intimidades, de admitirem que têm uma vida profissional bem merda, e de que muitas de suas trepadas podem ser consideradas esdrúxulas ou sujas. Não posicionei Hannah para ser um modelo a ser seguido, mas sempre achei que tinha de defender a experiência feminina contando histórias honestas.

    "Girls" acaba em momento político conturbado, no qual direitos das mulheres voltaram a ser defendidos. Os episódios serão engajados?
    Ninguém vai assistir a uma propaganda anti-Trump. O levante feminista que vemos agora nos EUA existe porque um grande contingente da população não acredita mais nos direitos das mulheres.

    Algumas atrizes de "Girls" parecem incomodadas com o fato de Adam Driver ter estourado em Hollywood, em filmes como 'Star Wars', e elas não.
    Adam mesmo pode afirmar que não é segredo que homens têm maior diversidade de papéis. Veja o Oscar deste ano. Tirando a Isabelle Huppert, de "Elle", a maioria dos filmes com atrizes indicadas é protagonizado por homens.

    Por falar em Oscar, você criticou a indicação de Mel Gibson como melhor diretor pelo filme "Até o Último Homem".
    Gibson ilustra a existência de uma narrativa de redenção em Hollywood que é disponível para os homens, mas não é estendida às mulheres.

    Em "Girls", Hannah é obcecada -nem sempre de forma lisonjeadora- por Philip Roth. O que tem contra ele?
    Roth é representante de uma geração que teve permissão de discutir aspectos de suas intimidades, sendo celebrados por isso. Já vozes femininas equivalentes foram consideradas triviais e pornográficas. Da mesma maneira que sinto grande apreciação pelo trabalho de Roth, acalento também uma frustração.

    Veja aqui a segunda parte da entrevista com Lena Dunham.

    *

    NA TV
    GIRLS
    QUANDO 1h de segunda (13), no HBO Plus

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