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    Petrobras está entre empresas mais "controversas" do setor, diz consultoria europeia

    JANAINA LAGE
    CIRILO JUNIOR
    DO RIO

    17/09/2010 08h42

    Relatório da consultoria europeia RepRisk divulgado no mês passado classifica a Petrobras como uma das dez empresas mais controversas do setor de petróleo. O ranking leva em conta aspectos ambientais e sociais.

    A RepRisk foi citada pelo "Financial Times" como uma das poucas empresas capazes de dizer "eu avisei" após o acidente em abril com uma plataforma da BP (British Petroleum) no golfo do México.

    Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress

    Nos últimos quatro anos, a RepRisk classificou a BP como empresa de alto grau de exposição a risco. Em 2009, ela fez parte da lista das dez empresas mais controversas do mundo.

    Segundo Karen Reiner, gerente de projeto da RepRisk, desde o acidente, aumentaram as críticas a projetos semelhantes de perfuração em águas profundas.

    "Isso indica que há uma conscientização crescente e uma preocupação com o que pode acontecer nesse tipo de perfuração, o que pode resultar em uma melhor regulação e transparência para a indústria. Essa será uma mudança gradual", disse.

    Em agosto, a pontuação da Petrobras ficou em 55 (o ranking varia de zero a 100). Notas entre 50 e 75 se referem a empresas de alto grau de exposição a risco. A primeira vez que a Petrobras alcançou um patamar superior a 50 foi em julho deste ano.

    O cálculo leva em conta informações divulgadas por jornais, blogs, ONGs, entre outras fontes. A avaliação é feita por analistas de risco de acordo com padrões internacionais, como o Pacto Global das Nações Unidas.

    A primeira colocada em agosto foi a BP. A lista inclui ainda nomes como a Chevron e a Total.

    Os projetos da empresa com maior volume de críticas foram o campo de Tupi e o lote 117, exploração em parceria com a Ecopetrol no Peru, entre outros.

    As principais queixas se referem a impactos nos ecossistemas e nas comunidades.

    Para Claudio Serra, especialista em ambiente da Uerj, após o acidente da BP, as empresas vão se voltar cada vez mais para minimizar os riscos da atividade exploratória, com mais investimentos em prevenção de acidentes.

    DESCONHECE

    A Petrobras informou em nota que desconhece o ranking e a metodologia de cálculo. "A empresa estranha um ranking construído somente com base na avaliação de exposições na mídia, sem considerar entidades e instituições de referência em questões socioambientais."

    A companhia destacou ainda que em 2010 ficou entre as cem empresas mais sustentáveis do mundo no ranking Global 100, da revista canadense "Corporate Knights", especializada em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável.

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