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    Clube em Buenos Aires oferece quebra-quebra "terapêutico"

    FELIPE GUTIERREZ
    DE BUENOS AIRES

    24/08/2014 02h00

    O engenheiro Lucas Trigo, 28, já passou parte da noite de uma sexta-feira destruindo um computador. Começou dando marretadas na CPU, depois partiu para o monitor.

    Sua namorada, a designer de interiores Ana Marcos, também participou. Atacaram com barra de ferro e taco de beisebol. Abriram as caixas e bateram até transformar o computador em uma pilha de escombros.

    Ao terminar, pagaram, agradeceram e se foram.

    Na Argentina recém-regressada à situação de calote pela segunda vez em 13 anos, buenairenses descontentes, que não sabem como extravasar sua raiva ou que querem se divertir de forma pouco ortodoxa frequentam um lugar onde, por cerca de R$ 135, pode-se arrebentar garrafas de vidro, computadores, impressoras e telas de TV enquanto se ouve rock dos anos 70 e 80 (a trilha sonora preferida é Ramones e, pertinentemente, The Clash).

    Trata-se de uma casa comum, em um bairro de classe média, mas com uma das salas transformada em local para destruir as coisas. Um ambiente de tijolos e com uma proteção na lâmpada.

    Os clientes usam uma máscara, um macacão com tecido grosso e luvas para se proteger dos cacos de vidro.

    O dono do Break Club, o ex-publicitário Guido Dodero, 30, explica que a ideia é uma mistura de diversão com o que ele chama, em inglês, de "crash therapy" (algo como terapia de espatifar).

    Julia Moraes/Folhapress
    Guido Dodero, dono do Break Club, demonstra sessão e diz que quebradeira é terapêutica
    Guido Dodero, dono do Break Club, demonstra sessão e diz que quebradeira é terapêutica

    Parte da inspiração, diz, veio do Japão –ele soube que lá existem formas parecidas de extravasar. "Li que empresas têm salas com bonecos para serem socados e que colocam uma foto com a cara do chefe. Também sei que há alguns lugares onde se paga para atirar objeto na parede."

    Dodero conta que é comum as pessoas saírem do trabalho e irem ao Break Club, mas ressalta que o lugar também serve como um ponto para amigos se divertirem –marcam despedidas de solteiro lá, por exemplo.

    "Na semana passada vieram 30 garotas que se alternavam entre beber, quebrar e dançar reggaeton", conta.

    As pessoas pagam para arrebentar as coisas em um ambiente controlado porque é mais difícil fazer isso em casa, segundo ele.

    "Se alguém te vê quebrando uma garrafa de cerveja na parede de casa vai achar que você está louco. E você vai se sentir culpado limpando os destroços. Além disso, quebrar as coisas de uma maneira descontrolada pode sair mais caro, pode ser que o objeto errado seja destruído, como um celular."

    Ele diz que fatura cerca de R$ 3.500 por mês e já recebeu ofertas de parceria para mais unidades. Mas, por enquanto, não pensa em expansão.

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