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    Turismo descobriu Miami há cerca de 100 anos

    SILVIO CIOFFI
    EM SÃO PAULO

    01/01/2015 02h00

    Ao todo, a Grande Miami tem perto de 5,5 milhões de habitantes, a maioria de origem hispânica ou "latina", como é costume se dizer por lá. A área mais propriamente turística junta Miami Downtown e Miami Beach, que são ligadas pela ponte MacArthur, e, também, o elegante bairro de Coral Gables.

    Hoje a região mais densamente povoada do sul da Flórida, Miami herdou seu nome do termo "maiami", que era como os índios seminoles se referiam aos lagos de água doce dessa localidade originalmente pantanosa.

    Mas foi só em 1913 que o empresário Carl Fischer usou dragas para criar a praia em Miami Beach e transformando a área em local turístico.

    Tropical, cosmopolita e algo espalhafatosa, a Grande Miami de nossos dias é também um destino de negócios, tem vida noturna intensa, lojas e hotéis chiques, notadamente nas cercanias de South Beach, que os locais chamam de SoBe.

    Agora, em dezembro, Miami está promovendo um programa chamado Heritage Month Miami, evento que celebra a diversidade étinico-cultural e que indica desde trilhas para caminhadas até excursões pelos bairros mais históricos.

    Nos arredores, para quem quer uma alternativa ao frenesi e às compras, existem dois parques nacionais: o Biscayne National e os Everglades.

    MIAMI TEM HISTÓRIA

    A área onde a Grande Miami se localiza foi explorada pioneiramente por Ponce de León (c. 1460-1521), aventureiro espanhol que procurou a fonte da juventude ser assassinado pelos índios seminoles.

    Em 1857, vindos do Texas, oficiais do forte Dallas fundaram um posto do correio dos EUA, mas a cidade cresceu pouco nas suas primeiras décadas de existência.

    Dominada pelos seminoles até o fim do século 19, a região de Miami só ganharia impulso depois que o comerciante William Brickell conseguiu se aproximar desses índios. E foi só a partir de 1896 que a cidade passou a ter existência oficial, quando 16 empresários (quatro deles tinham origem judaica) ali se estabeleceram.

    Foi neste ano que Henry Flager, ligado à Standart Oil (que mais tarde virou a Esso), trouxe a ferrovia que conectou Miami ao restante do território dos EUA. Flager também se dedicou ao comércio marítimo entre Miami e Nassau, no Caribe.

    O turismo propriamente dito se transformou numa vocação da Flórida há 101 anos, quando, em 1913, o já mencionado Carl Fisher criou a praia em Miami Beach e consolidou sua vocação balneária.

    Na década de 1920, Coral Gables foi loteada por George Merrick e, em 1926, foram edificadas a torre da Liberdade, na então região portuária, e o elegante hotel Biltmore, em Coral Gables, dono da maior piscina com estátuas nos EUA. As duas construções têm como base as formas da torre da Giralda, de Sevilha.

    A torre da Liberdade, ainda hoje um "landmark", abrigou originalmente a sede do jornal "Miami Daily News", mas ganhou esse nome em 1962, quando virou sede do Comitê dos Refugiados Cubanos, que fugiam do regime de Fideal Castro e somavam, então, meio milhão de pessoas, o que explica em muito a recente origem "latina" de Miami.

    ERA ART DÉCO

    Ironicamente, Miami Beach cresceu depois de 1929, com a decadência que se seguiu à quebra da Bolsa de Nova York. Entre as décadas de 1930 e 1950, 800 construções em estilo art déco surgiram nas quadras à beira-mar.

    A partir dos anos 1960, o local ficou algo decadente e, graças a seu clima quente, se transformou num paraíso de americanos aposentados.

    O tombamento do bairro art déco abriu caminho para a restauração dos prédios, realizada a partir de 1976 pela Miami Design Preservation League, responsável primeira pela revitalização de Miami Beach e pela transformação da Grande Miami num dos mais pujantes destinos de turismo nos EUA.

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