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    Pela 1ª vez, receita de jornais vinda de circulação bate a de publicidade

    RAUL JUSTE LORES
    DE WASHINGTON

    01/06/2015 15h16

    Pela primeira vez, as receitas dos jornais no mundo vieram mais da circulação do que da publicidade, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (1º) pela Associação Mundial de Jornais e Publishers de Jornais (WAN-IFRA).

    "Podemos dizer que a audiência se tornou a maior fonte de receita de quem publica jornais", disse Larry Kilman, secretário-geral da WAN-IFRA, na abertura do congresso anual da entidade, que se reúne esta semana em Washington.

    Da renda estimada de US$ 179 bilhões (R$ 569 bi) que os jornais movimentaram em 2014, US$ 92 bilhões (R$ 292 bi) vieram da circulação impressa e digital, enquanto US$ 87 (R$ 276 bi) bilhões vieram da publicidade.

    No passado, 80% da receita vinham da publicidade em diversos mercados.

    Editoria de Arte/Folhapress

    O relatório, que estuda 70 países responsáveis por 90% do mercado de jornais no mundo (incluindo o Brasil), também aponta que o futuro será dominado por celulares e, bastante atrás, tablets.

    O consumidor global já gasta quase 2,2 horas por dia com seus aparelhos móveis (97 minutos no smartphone, 37 minutos no tablet), 37% do tempo diário dedicado à mídia, à frente de TV (81 minutos), computador (70), rádio (44) e impresso (33). Pela primeira vez, o tempo gasto diante da tela do computador caiu.

    A circulação digital paga aumentou 56% em 2014 e teve um aumento de 1.420% entre 2010 e 2014, quando diversos jornais começaram a cobrar assinaturas de suas versões on-line.

    Mas 93% das receitas dos jornais ainda vêm de suas versões impressas e, segundo o relatório, elas continuarão a ser a principal fonte de receitas por muitos anos. Ao mesmo tempo, jornais estão diversificando suas fontes, saindo do modelo dependente de publicidade e circulação para outros "multidimensionais", segundo Kilman.

    Apesar de representar ainda uma parcela pequena da receita dos jornais, a publicidade digital cresceu 8%, em 2014, e 59%, entre 2010 e 2014. Mas os maiores beneficiários dessa tendência são Google (38% de toda publicidade digital) e Facebook (10%).

    Na publicidade nos jornais impressos, a América Latina continuou a ser a região que registrou a maior alta em 2014, de 4,86% em relação ao ano anterior, superando Oriente Médio e Norte da África (2,2%). Nas demais regiões do globo ela caiu.

    A circulação impressa de jornais cresceu 6,4% em 2014, especialmente por causa da Ásia (onde cresceu 9,8%). O mercado da Índia é considerado o mais saudável no mundo para jornais impressos, com diversas novas publicações sendo lançadas por ano. Mas a circulação impressa caiu nos países desenvolvidos.

    Editoria de Arte/Folhapress

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