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    Dilma diz que Roraima será, enfim, ligada à rede nacional de energia

    MARCELO TOLEDO
    ENVIADO ESPECIAL A BOA VISTA

    09/12/2015 19h47

    "Sempre falta energia, sempre mesmo. A gente não sabe o que é ficar semanas seguidas sem se preocupar com isso." A dona de casa Maria das Dores Gomes, 57, mora em Boa Vista (RR), único Estado que ainda é desconectado do sistema interligado nacional de energia elétrica.

    Dependente de energia fornecida pelo governo da Venezuela desde 2001 e de termelétricas, Roraima deverá finalmente ser interligada ao sistema em um prazo de três anos. O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira (9) pela presidente Dilma Rousseff na capital do Estado, onde esteve para entregar 2.992 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.

    Para colocar Roraima no mapa energético brasileiro, será preciso fazer 721,4 quilômetros de linhas de transmissão, atravessando os Estados do Amazonas e Roraima, passando por nove municípios, entre eles as capitais dos dois Estados, Manaus e Boa Vista, respectivamente. A linha de transmissão também passa dentro de terras indígenas.

    Do total, 474,3 quilômetros estão em terras de Roraima e 247,1 quilômetros, no Estado vizinho. As obras serão feitas pelo consórcio Transnorte (formado por Alupar e Eletronorte) —valores não foram divulgados.

    A licença ambiental prévia foi assinada por Marilene Ramos, presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e tem validade por cinco anos. Para que a obra possa ser executada, foi preciso que a governadora Suely Campos (PP) participasse de audiência pública com os povos indígenas Waimiri-Atroari e o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), João Pedro Gonçalves da Costa.

    Para que sejam executadas construções em terras indígenas é preciso que a Funai emita carta de anuência, para avaliar possíveis impactos que possam decorrer da instalação e operação do empreendimento. Ela foi liberada no último dia 26.

    Após discurso em que defendeu o seu programa habitacional e justificou que não houve delito cometido por seu governo —seguido de gritos de "não vai ter golpe" de parte dos cerca de 5.000 presentes—, a presidente afirmou que a linha de transmissão será muito importante para Roraima por garantir que o Estado tenha condições de se desenvolver com energia de qualidade.

    "Roraima é o único Estado da federação que não está interligado a todo o sistema elétrico nacional, que são mais de 120 mil quilômetros de linhas de transmissão que unem todas as usinas do brasil e dão garantia de segurança muito elevada a todo o sistema", disse a presidente.

    Segundo Dilma, "além de dar segurança para Roraima, não vai ficar faltando luz". Um dos temores do Estado é a Venezuela reduzir ainda mais o fornecimento de energia a Roraima, o que poderia gerar racionamento de energia.

    PRAZO

    Embora tenha um contrato para o recebimento de 200 MWh de energia, Roraima alega que hoje, no limite, recebe 130 MWh, para um consumo de 189 MWh. A diferença está sendo suprida com o uso de termelétricas. Só neste ano foram inauguradas três.

    A presidente disse ainda, ao explicar aos presentes a composição do preço da energia elétrica, que "quando tem muita água, o preço da energia cai e, quando tem pouca, sobe um pouquinho, mas menos que o valor praticado aqui em Roraima".

    A governadora disse à Folha que a previsão é de que as obras sejam concluídas em até três anos e que, no período, será preciso usar mais uma termelétrica, para ampliar a segurança energética no Estado e reduzir o risco de falta de energia.

    Até mesmo no palácio do governo os apagões são constantes, segundo relatos de funcionários feitos à Folha. O local tem gerador de energia, que começa a funcionar após sete segundos de deficit energético.

    REGULARIZAÇÃO DE TERRAS

    Além da entrada de Roraima no sistema energético interligado, a presidente Dilma Rousseff fez o anúncio da retirada de uma exigência da criação de uma unidade de conservação no Estado, o que permitirá transferir as terras públicas da União para Roraima.

    Com isso, produtores rurais das áreas de lavrado, que hoje não têm documentação de sua terra, serão beneficiados ao regularizar as terras. A falta da documentação impede que os produtores obtenham financiamentos bancários, por exemplo.

    Hoje, 46% do território de Roraima é ocupado por terras indígenas e 19% para unidades de conservação. Segundo o Estado, retirando outras reservas legais, áreas de preservação, áreas militares e improdutivas, sobram menos de 10% para a produção.

    A governadora disse que criar mais uma unidade de conservação afetaria os produtores roraimenses das áreas de lavrado. A regularização ocorrerá no próximo ano.

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