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    Oi obtém R$ 4,7 bilhões de banco chinês para investir e pagar dívida

    JULIO WIZIACK
    DE SÃO PAULO

    16/12/2015 02h00

    Com dois importantes sócios envolvidos na Lava Jato e uma dívida que ultrapassa R$ 50 bilhões, a Oi conseguiu levantar US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 4,7 bilhões) com o China Development Bank (CDB), o BNDES chinês, para fazer investimentos e quitar parte de sua dívida no próximo ano.

    A Folha apurou que o contrato está fechado e deve ser anunciado até sexta (18). Metade do valor (US$ 600 milhões) será usada em investimentos, sendo que a Oi terá de comprar equipamentos da fornecedora chinesa Huawei.

    O restante poderá ser usado para amortizar a dívida. No próximo ano, a empresa tem cerca de R$ 10 bilhões em compromissos —o que exigirá reforço financeiro.

    Hoje a companhia tem cerca de R$ 16 bilhões em caixa, mas terminará o próximo ano com cerca de R$ 2,8 bilhões. Como tem compromissos pesados nos anos seguintes, corre o risco de ficar sem dinheiro a partir de 2017 caso não refinancie dívidas ou traga dinheiro novo.

    Por isso, neste ano, GonBayard Gontijo, presidente da Oi, correu contra o relógio para implementar um plano de ação para mostrar ao mercado que o problema da Oi é sua dívida, e não sua capacidade de dar resultados.

    INCERTEZAS

    O empréstimo com o CDB foi acertado em viagem de Gontijo à China há cerca de 15 dias, no momento em que as ações da tele sofriam queda após a prisão do banqueiro André Esteves, que deixou o controle do BTG Pactual.

    O banco é sócio da Oi, ajuda na reestruturação da companhia e no plano de fusão da operadora com a TIM. Caso tudo isso dê certo até maio de 2016, a Oi receberá US$ 4 bilhões do fundo russo LetterOne, que se tornaria sócio de uma nova supertele.

    A prisão de Esteves gerou desconfiança de que a possível fusão entre as teles seguirá adiante, o que levou à queda das ações da Oi. Para os investidores, Gontijo tenta separar as coisas.

    "O BTG não interfere nesse processo", disse Gontijo à Folha. "Ele é um acionista importante que tem um mandato para nos assessorar. Mas ele pode vender suas ações se quiser, ou precisar, e podemos ter outro banco nos assessorando. Quem conduz esse processo [de uma possível fusão] são os sócios, a Oi, o LetterOne e, futuramente, a Telecom Italia."

    Gontijo não quis comentar sobre o empréstimo com o banco chinês. Só disse que está fazendo viagens, no Brasil e no exterior, para reforçar que, mesmo na turbulência, a companhia cumprirá as promessas feitas em janeiro para credores e investidores.

    De acordo com elas, a empresa deverá ter Ebitda (lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortizações) entre R$ 7 bilhões e R$ 7,5 bilhões, o que reforçará o caixa com até R$ 1,8 bilhão.

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