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    Governo estuda fusão para criar megaestatal de TI e comunicação

    MACHADO DA COSTA
    DE BRASÍLIA

    11/01/2016 02h00

    O governo federal estuda a fusão de três empresas estatais para criar uma única grande empresa, ainda estatal, de tecnologia da informação e comunicação.

    As atuais Telebras, Serpro e Dataprev, criadas entre 1960 e 1970, podem virar uma só, com o objetivo de centralizar tanto seus passivos (dívidas e obrigações) quanto seus serviços.

    Se o projeto andar, a nova estatal nasceria com um capital superior a R$ 5 bilhões e 7.000 empregados, mas com limitações financeiras.

    Das três empresas, apenas a Dataprev registra lucros consistentes hoje em dia.

    O estudo, realizado pelo Ministério do Planejamento, foi entregue no final de 2015 aos presidentes das companhias, que ainda o consideram preliminar.

    As três empresas prestam serviços de infraestrutura de telecomunicações (Telebras), desenvolvimento de software –como, por exemplo, o eSocial– (Serpro) e processamento de dados (Dataprev) exclusivamente ao governo.

    Atualmente, as duas últimas já desenvolvem um trabalho conjunto para a criação de uma ferramenta para o processamento das folhas de pagamento da União.

    MAIS UMA ESTATAL - Governo quer juntar Telebras, Serpro e Dataprev e criar empresa única para cuidar da área de TI federal

    REUNIÃO

    Nesta terça-feira (12), os presidentes das três empresas vão se reunir, na sede da Dataprev, em Brasília, para discutir novas parcerias e integração de serviços.

    A principal motivação para a unificação está na mitigação dos passivos: unificar o centro de custos –distribuindo entre as empresas os lucros e os prejuízos– e as pendências jurídicas.

    Em um argumento adicional, o Planejamento acredita que a nova estatal poderia oferecer serviços para clientes fora do governo, o que é raro em qualquer segmento de tecnologia da informação.

    Apenas países com economias altamente estatizadas, como a China, possuem empresas com esses propósitos.

    Não há previsão sobre se a empresa teria capital aberto, como a Telebras –listada até hoje na Bolsa de Valores–, ou fechado.

    FUTURO

    Os presidentes das companhias acreditam que a ideia da fusão, no futuro, pode gerar maior receita.

    Mas, em um primeiro momento, o objetivo é apenas torná-las mais eficientes –ou pelo menos reduzir suas ineficiências.

    "A ideia nasceu da necessidade de reduzir custos. É positivo que uma avaliação constante seja feita pelo governo", diz Rodrigo Assumpção, presidente da Dataprev.

    Segundo ele, no entanto, os resultados financeiros de uma possível fusão só apareceriam no longo prazo.

    "Não vejo um grande ganho de escala com a fusão. Demoraria muito para que as empresas conseguissem se equiparar tecnologicamente. Cada uma está em um momento diferente da curva de desenvolvimento."

    Jorge Bittar, presidente da Telebras, vê com otimismo a integração dos serviços e, futuramente, a fusão.

    "Hoje, as empresas de telecomunicações não podem mais ter as operações segmentadas. A infraestrutura precisa ser oferecida em conjunto ao serviço de tecnologia da informação. Em um primeiro momento, vamos integrar as operações comerciais. A burocracia fica para o futuro", diz Bittar, que é ex-deputado federal (PT-RJ).

    O presidente do Serpro, Marcos Mazoni, não foi encontrado para comentar a proposta de integração. O Ministério do Planejamento preferiu não se manifestar.

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    Telebras
    Provedor de infraestrutura e acesso à internet para o governo federal
    Fundação: 1972

    Serpro
    Desenvolvedor de programas para o governo, como o ReceitaNet e o Siscomex
    Fundação: 1964

    Dataprev
    Faz o processamento de dados da Previdência Social
    Fundação: 1974

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