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    Fundo de pensão da Petrobras barra recuperação judicial da Sete Brasil

    DAVID FRIEDLANDER
    JULIO WIZIACK
    DE SÃO PAULO
    NICOLA PAMPLONA
    DO RIO

    20/01/2016 02h00 - Atualizado às 15h31

    Alexandre Gentil/Divulgação
    ANGRA DOS REIS, RJ, BRASIL, 22-01-2014: Casco de sonda de perfuração da Sete Brasil, no estaleiro BrasFELS, em Angra dos Reis (RJ)
    Casco de sonda de perfuração da Sete Brasil, no estaleiro BrasFELS, em Angra dos Reis (RJ)

    Defendida pela maior parte dos sócios da Sete Brasil, a proposta de levar a empresa de sondas à recuperação judicial foi vetada pelo fundo de pensão Petros (da Petrobras) e pelo Santander em reunião nesta terça (19).

    A recuperação judicial era defendida pela direção da própria Sete. Depois dos vetos, um grupo de sócios convenceu Petros e Santander a marcar outra reunião para discutir o assunto em 30 dias.

    Com a Sete praticamente quebrada, a maior parte dos acionistas apostava na recuperação judicial para forçar a Petrobras a negociar com a empresa os contratos de aluguel de sondas de exploração de petróleo pendentes há mais um ano.

    A estatal estimulou a criação da Sete, em 2010, para não arcar com os custos de construção das sondas, que alugaria depois para explorar o pré-sal.

    Mas, com a queda no preço do petróleo e as duas empresas envolvidas na Operação Lava Jato, a estatal passou a apresentar obstáculos para assinar os contratos, segundo os acionistas da Sete.

    A empresa hoje deve cerca de R$ 17 bilhões e também deixou de pagar aos estaleiros contratados para construir suas sondas.

    Com a recuperação judicial, os sócios apostavam que seria possível forçar a Petrobras a voltar efetivamente à mesa de negociação.

    REUNIÃO

    Para ser aprovada, a proposta de recuperação judicial precisava do voto de 85% dos cotistas do FIP Sondas, fundo de investimento formado bancos e fundos de pensão que controla a Sete.

    Só os 18% da Petros já seriam suficientes para derrubar a ideia. Mas o banco Santander, que ao mesmo tempo é sócio e credor da companhia, também ficou contra.

    Outros dois acionistas, a Petrobras e o FI- FGTS (fundo de investimento administrado pela Caixa) se abstiveram de votar declarando conflito de interesse. A estatal é sócia e também cliente. A Caixa é credora e administra os investimentos do FI-FGTS.

    O Bradesco, que também é sócio e credor, faltou.

    AFASTAMENTO

    Irritados com a posição da Petros, alguns acionistas passaram a cogitar, depois do encontro de ontem, impedir os representantes do fundo de votarem na próxima reunião, por conflito de interesses.

    De acordo com essa visão, a Petros estaria agindo para inviabilizar a empresa, que, sem a recuperação judicial, ficaria mais vulnerável a um pedido de falência.

    Por meio de nota, a Petros disse que votou contra porque não recebeu informações como "a projeção da necessidade de caixa mês a mês e a preparação de um plano de reestruturação completo". Por isso, não teria "elementos suficientes para definir sua estratégia em relação ao futuro da companhia". O Santander não se manifestou.

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