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    Consumidor pechincha para comprar casa própria

    EDSON VALENTE
    DE COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    11/05/2016 02h00

    Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
    Caixa esgotou linha de financiamento para moradias entre R$ 225 mil a R$ 500 mil no país
    Número de lançamentos em São Paulo cai ao nível de 2004

    Em um cenário de queda do número de lançamentos de imóveis residenciais, há um sinal de recuperação nas vendas de bens desse tipo. Surge, então, a pergunta: quem são essas pessoas que compram um apartamento em época de recessão?

    Para analistas do mercado imobiliário, a explicação passa por dois fatores: preços estagnados, com boas possibilidades de os incorporadores também concederem descontos, e a chance de os valores começarem a subir de novo dentro de dois ou três anos –ou até antes disso.

    O quadro se desenha a partir dos dados divulgados pelo Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo) e pela Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), relativos às movimentações do mercado na região metropolitana de São Paulo.

    Na capital, na comparação do primeiro trimestre de 2016 com o mesmo período de 2015, as vendas de residenciais novos cresceram 4,4%, enquanto os lançamentos caíram 23%, atingindo o pior resultado absoluto para o primeiro trimestre desde 2004 "" 1.692 unidades lançadas.

    PÉ NO FREIO - Lançamentos batem recorde negativo em São Paulo*

    "O mercado ainda está muito parecido com 2015", diz Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. "Os incorporadores não têm coragem de lançar empreendimentos por falta de confiança na economia do país."

    Segundo Yorki Estefan, diretor do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), "as construtoras não são capazes de produzir e ter lucro com os preços praticados hoje na ponta".

    Para desovar o estoque de 25.823 unidades disponíveis para venda na cidade de São Paulo, entre imóveis na planta, em construção e prontos que foram lançados nos últimos 36 meses, e fazer caixa, as empresas têm concedido descontos, uma deixa para o comprador pechinchar.

    "Os preços já vêm caindo e devem continuar assim até o segundo semestre de 2017", diz Thomaz Assumpção, presidente da consultoria Urban Systems.

    Por outro lado, uma diminuição drástica dos lançamentos no presente vai impactar a oferta daqui a dois ou três anos, levando em conta que o mercado imobiliário possui ciclo longo. "Na ausência de qualquer produção, a oferta atual se esgotaria em 16 meses", diz Renato Ventura, vice-presidente-executivo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias.

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