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    Plano de recuperação da Sete Brasil depende de US$ 3,8 bi para obras

    NICOLA PAMPLONA
    DO RIO

    12/08/2016 18h48

    Divulgação
    Casco de sonda de perfuração da Sete Brasil
    Casco de sonda de perfuração da Sete Brasil

    Entregue nesta sexta-feira (12) à Justiça, o plano de recuperação judicial da empresa de sondas Sete Brasil prevê a captação de pelo menos US$ 3,8 bilhões para retomar a construção dos equipamentos, parada desde o fim de 2015.

    O plano depende, porém, da renegociação de contratos com a Petrobras e da boa vontade dos estaleiros contratados, que estão sendo solicitados a reiniciar as obras com recursos próprios enquanto a companhia busca recursos no mercado financeiro.

    "É um desafio muito grande, mas estamos bastante confiantes de que a Petrobras ainda tem demanda para sondas com conteúdo nacional", afirmou Eduardo Sampaio, diretor da consultoria Alvarez & Marsal, que ajudou a empresa na elaboração do plano.

    A Sete deu entrada no processo de recuperação judicial no fim de abril, com uma dívida declarada de R$ 19,3 bilhões. Em seu balanço de 2015, contabilizou ainda dívida de R$ 5,670 bilhões com os estaleiros contratados para construir as sondas, que não foram incluídos na lista de credores entregue à Justiça.

    O plano trabalha com a conclusão de 8 a 12 sondas, dependendo das negociações com a Petrobras, que serão mediadas por um consultor externo. O contrato inicial previa 28 sondas mas, com a crise financeira e a queda do preço do petróleo, a Petrobras avalia que não precisará mais desse número.

    Atualmente, a empresa luta para renegociar os contratos que tem, diante da redução dos investimentos. No segundo trimestre de 2016, gastou R$ 2,1 bilhões com o aluguel de sondas ociosas. A carteira da estatal tem 31 embarcações contratadas.

    Caso o contrato seja de oito sondas, a empresa precisará de US$ 3,8 bilhões. Se forem 12, a cifra sobe para US$ 5 bilhões. "Levantar dinheiro é outro desafio, até porque boa parte do mercado financeiro local é acionista ou credor e se machucou bastante com a Sete", admite Sampaio.

    Por isso, a empresa vai pedir aos estaleiros que iniciem as obras com recursos próprios, caso chegue a um acordo com a Petrobras para concluir as sondas. De posse dos contratos, vai buscar financiadores no mercado.

    "Não tem solução fácil, mas a chance de eles (estaleiros) recuperarem dinheiro é maior assim do que partindo para o litígio", disse ele.

    CREDORES E ACIONISTAS

    Com relação a outros credores e acionistas, a ideia é propor o rateio, em partes iguais, do fluxo de caixa dos contratos de aluguel de sondas como parte do pagamento das dívidas.

    São credores da companhia, entre outros, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, Santander, Itaú e Bradesco.

    Os sócios são a própria estatal e os bancos BTG Pactual, Santander e Bradesco, investidores estrangeiros, os fundos de pensão Petros, Funcef e Previ e o fundo FI-FGTS. Eles já puseram R$ 8,6 bilhões na empresa.

    Criada para ser a maior parceira da estatal no pré-sal, a empresa entrou em crise após a descoberta do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, que estancou negociações com o BNDES para financiar as sondas.

    O presidente da empresa, Luiz Eduardo Carneiro, disse que conta com a retomada dos preços do petróleo e com a necessidade de cumprimento de índices de conteúdo local pela Petrobras.

    "Se tirarmos uma foto hoje, vemos grande dificuldade. Mas os preços do petróleo vão subir e as sondas ainda vão levar algum tempo para chegar ao mercado", afirmou.

    Em entrevista para apresentar seu balanço do segundo trimestre, a direção da estatal disse apenas que as negociações permanecem em andamento.

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