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    Gigante mundial dos alimentos acelera aposta em comida saudável

    RENATA AGOSTINI
    DE SÃO PAULO

    04/02/2017 02h00

    Danilo Verpa/Folhapress
    SAO PAULO - SP - 03.02.2016 - Entrevista com a executiva Amanda Sourry, presidente global da Unilever Foods, sobre os negocios da empresa, estrategias durante a crise e novas tendencias alimentares apresentadas por ela no Forum Economico Mundial, em Davos. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, MERCADO)
    A britânica Amanda Sourry, presidente mundial da Unilever Food

    A pressão dos consumidores pela oferta de alimentos mais saudáveis fará com que a Unilever, gigante mundial dona de marcas como Hellmann's, Knorr e Kibon, modifique boa parte de seus produtos nos próximos três anos.

    Para não perder mercado, a companhia traçou como meta que, em 2020, 6 em cada 10 de suas mercadorias tenham os "mais elevados padrões de nutrição".

    Tal compromisso, que inclui redução de sal, caloria, gordura e açúcar nos alimentos, exigirá uma transformação no portfólio da empresa no Brasil. Hoje, apenas 15% dos produtos vendidos pela Unilever no país estão dentro do patamar de exigência imposto pela multinacional, afirmou a britânica Amanda Sourry, presidente mundial da Unilever Foods, em entrevista à Folha.

    "O consumidor está mudando [sua concepção] em relação aos alimentos e temos de fazer o mesmo", disse.

    O movimento é uma resposta à demanda crescente dos consumidores por produtos que contenham menos ingredientes nocivos à saúde.

    Para Sourry, a percepção de que o sistema de alimentação ao redor do mundo está "quebrado" tem feito com que muitas pessoas desconfiem de grandes empresas –como a própria Unilever.

    Os novos compromissos assumidos pela companhia são vistos como fundamentais para o sucesso da empresa no futuro próximo."É uma questão de garantir que o consumidor continue a confiar em nós", afirma Sourry.

    Ao mesmo tempo que precisa promover mudanças, a Unilever tem de garantir que o processo não irá comprometer a força de suas marcas. No Brasil, ela é dona ainda de Maizena, Becel e Arisco.

    "É uma combinação. Trazemos coisas novas, mas reconhecemos que temos marcas muito amadas. Queremos ter certeza de que evoluiremos esses produtos para serem mais saudáveis e sustentáveis", diz a executiva.

    produtos verdes

    A bandeira da produção sustentável também é parte central da estratégia, especialmente no Brasil.

    Uma pesquisa encomendada pela multinacional com 20 mil pessoas em cinco países indicou que o mote da sustentabilidade tem apelo maior em mercados emergentes do que nos desenvolvidos.

    No Reino Unido, 53% dos entrevistados disseram se sentir melhor ao comprarem produtos feitos de forma sustentável. Nos EUA, foram 78%. Já no Brasil, o percentual subiu para 85%.

    O selo da sustentabilidade é assim uma oportunidade de ampliar negócios num dos mercados mais importantes para a Unilever, mas que vem sentindo os efeitos da crise.

    As receitas da multinacional no mundo em 2016 somaram € 52,7 bilhões, queda de 1% ante o ano anterior, especialmente devido ao baixo desempenho das vendas em países como Índia e Brasil.

    "Reconhecemos que é um período desafiador no país neste momento", afirma.

    Segundo Sourry, a empresa está no Brasil para o longo prazo, por isso, a crise econômica e a instabilidade política fizeram a Unilever repensar "táticas", e não planos para o mercado como um todo.

    Apesar da recessão, o Brasil segue sendo um dos cinco países-chave no mundo emergente para a multinacional, afirmou a executiva britânica.

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