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    Resultado de Google e Facebook reflete domínio crescente sobre publicidade digital

    DO WASHINGTON POST

    02/08/2017 11h56

    Justin Sullivan/AFP
    SAN JOSE, CA - APRIL 18: Facebook CEO Mark Zuckerberg delivers the keynote address at Facebook's F8 Developer Conference on April 18, 2017 at McEnery Convention Center in San Jose, California. The conference will explore Facebook's new technology initiatives and products. Justin Sullivan/Getty Images/AFP == FOR NEWSPAPERS, INTERNET, TELCOS & TELEVISION USE ONLY ==
    O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg

    Google e Facebook reportaram alta forte em suas receitas para o segundo trimestre, nesta semana, devido em parte ao domínio impressionante que exercem sobre o mercado de publicidade digital.

    Alguns analistas afirmam que os anunciantes estão em busca de alternativas às duas gigantescas plataformas de internet que dominam o setor.

    O Google deve responder por quase 41% do mercado de publicidade na internet dos Estados Unidos, que movimentará US$ 83 bilhões neste ano, de acordo com estimativas do grupo de pesquisa eMarketer. O Facebook terá fatia pouco inferior à metade da detida pelo rival, com cerca de 20% do mercado.

    Que duas empresas detenham tanto mercado deixa os anunciantes vulneráveis aos preços que elas optem por impor, disse Justin Kennedy, vice-presidente de operações da Sonobi, uma empresa de tecnologia para publicidade.

    CONTROLE

    Ele também acrescentou que depender do Google e do Facebook significa que é mais difícil controlar onde os anúncios aparecerão – algo que causou dificuldades a diversos anunciantes alguns meses atrás, quando seus anúncios foram veiculados em companhia de conteúdo extremista e violento no YouTube, controlado pelo Google, sem que eles fossem informados previamente.

    A Alphabet, controladora do Google, afirmou em seu anúncio de resultados do segundo trimestre, nesta semana, que sua receita atingiu os US$ 23 bilhões, alta de 21% ante o período no ano passado, com base principalmente no crescimento robusto do YouTube e das buscas móveis. Mas ainda que a empresa tenha atraído 52% mais visitantes aos anúncios que veicula, ante os resultados do trimestre no ano passado, o faturamento do Google por clique publicitário caiu em 23%.

    O Facebook, enquanto isso, reportou mais de US$ 9 bilhões em receita publicitária no segundo trimestre, 47% acima do resultado do período em 2016. Mas as empresa disse aos investidores que o crescimento publicitário deve se desacelerar, já que o número de anúncios exibidos no News Feed do Facebook não pode continuar subindo. A ênfase da rede social em destacar vídeos também desacelerará o crescimento publicitário, disse a companhia, porque eles oferecem menos oportunidades de veicular publicidade, comparados ao News Feed.

    NO LIMITE

    Outros especialistas sugeriram que Google e Facebook estão se aproximando do limite, em seu poder sobre o mercado publicitário. Brian Wieser, analista da Pivotal Research, afirmou em nota de pesquisa neste mês que existem companhias capazes de desafiar o Google e Facebook. Ele mencionou a nova divisão Oath, da Verizon, que inclui a AOL e o Yahoo, como potencial alternativa às duas potências atuais. Porque é tanto grande provedora de acesso à internet quanto fonte colossal de tráfego na Web, a Verizon pode desenvolver uma estratégia para publicidade direcionada.

    Jason Kint, presidente-executivo da Digital Content Next, uma organização setorial que representa empresas digitais como a ESPN e o "Washington Post", disse que os anúncios de resultados demonstram que Facebook e Google estão posicionados para capturar a maior parte do crescimento no setor publicitário. Mas ele disse que seu domínio continuado seria prejudicial às duas empresas, em longo prazo.

    "Elas são plataformas de descoberta, e sem um ecossistema saudável de notícias e entretenimento, suas plataformas se tornarão menos interessantes para os anunciantes, em longo prazo", ele disse. "Está acontecendo discussão no setor, e são os anunciantes que estão conduzindo essa discussão. Eles desejam que seus anúncios sejam veiculados em ambientes de qualidade, e não em plataformas de mídia social".

    A Alphabet e o Facebook não responderam de imediato a pedidos de comentários.

    Tradução de PAULO MIGLIACCI

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