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    Dove pede desculpas por propaganda acusada de racismo nas redes

    DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

    09/10/2017 11h26 - Atualizado às 10h58

    Daniel Sorabji/AFP
    A judoca Stefannie Arissa Koyama, que disputará o Mundial de Budapeste pela seleção brasileira
    Mulher observa propaganda da Dove acusada de racismo

    A marca de cosméticos Dove, propriedade da gigante holandesa Unilever, pediu desculpas após a difusão on-line de um anúncio acusado de racismo pelos usuários de redes sociais.

    "Em uma imagem publicada nessa semana, erramos ao representar as mulheres de cor, e lamentamos profundamente os danos causados", declarou em uma mensagem publicada no Facebook e no Twitter.

    Na propaganda, um GIF de três segundos para um sabão líquido da marca, uma mulher negra tira uma camiseta para revelar uma mulher branca, que remove sua camiseta e revela uma terceira mulher, asiática.

    A ação, originalmente transmitida na página da Dove Estados Unidos no Facebook, foi amplamente denunciada por usuários da rede em todo o mundo.

    "Ser negro significa ser sujo e indesejável?", postou uma usuária do Twitter, pedindo boicote aos produtos Dove e Unilever.

    A hastag #BoycottDove era amplamente replicada na rede social na manhã desta segunda-feira (9).

    Marissa Solan, porta-voz da Dove, disse neste domingo (8) que o GIF "pretendia transmitir que o Dove Body Wash é para todas as mulheres e é uma celebração da diversidade, mas entendemos errado e, como resultado, ofendemos muitas pessoas."

    Ela acrescentou que Dove removeu a postagem da rede e está "reavaliando nossos processos internos para criar e revisar conteúdo."

    Na Bolsa de Valores de Londres, às 07h30 (4h30 de Brasília), o preço da ação da Unilever caia ligeiramente, 0,39%, em um mercado estável.

    Em 2013, outra marca de cosméticos da Unilever teve que se desculpar após a polêmica criada por um concurso na Tailândia em torno de um produto para clareamento da pele.

    DIVERSIDADE

    A modelo negra que apareceu na propaganda da Dove defendeu o comercial, dizendo que, longe de menosprezar mulheres negras, o vídeo celebra a diversidade étnica.

    "Eu não acho que foi racista", disse em entrevista à BBC nesta quarta-feira (11).

    Entretanto, Lola afirmou que os trechos do vídeo compartilhados na internet –que, em sua maioria, mostravam apenas ela e a mulher branca, deixando de fora a mulher asiática— causaram a impressão errada.

    Ela disse que havia uma versão de 30 segundos feita para a TV que contava com outras imagens e com um slogan que deixava claro que a intenção era dizer que todas as mulheres merecem produtos de qualidade.

    O anúncio da Dove não é um caso isolado de uma empresa —a própria marca já foi acusada de racismo anteriormente.

    Relembre outros casos:

    NIVEA, abr.2017

    Em abril, a Nivea, marca alemã de produtos para cuidados com a pele, lançou um anúncio de desodorante que dizia: "Branco é pureza". Os supremacistas brancos na internet não deixaram passar, e um usuário do 4chan (site em que usuários publicam anonimamente) escreveu: "A Nivea escolheu o nosso lado."

    Um representante da empresa-mãe da Nivea, a Beiersdorf, disse que a companhia "nunca teve a intenção de machucar ninguém ou levantar qualquer interpretação errada."

    Mas, como a Dove, a Nivea já havia escorregado em publicidade polêmica anteriormente.

    Seis anos antes, depois de se desculpar por um anúncio que mostrava um homem negro que se preparava para jogar fora o seu antigo rosto com traços afro atrás das palavras "Re-civilize-se", a Nivea prometeu rever os "processos atuais de desenvolvimento e aprovação" de publicidade para "evitar qualquer tipo de interpretação enganosa futura."

    QIAOBI, mai.2016

    Em um comercial de 2016 para o sabão em pó da empresa chinesa Qiaobi, uma mulher asiática empurrava uma cápsula de detergente na boca de um homem negro e colocava-o em uma máquina de lavar roupa, da qual ele emerge como um asiático de pele clara.

    Uma porta-voz da Qiaobi, Xu Chunyan, não se demonstrou arrependida. "Nós fizemos isso por um efeito sensacional", disse ela à época. "Se nós apenas mostrarmos a roupa como todos os outros anúncios, o nosso não vai se destacar."

    POPCHIPS, mai.2012

    A Popchips, marca de salgadinhos, disparou em 2012 um anúncio em que o ator Ashton Kutcher interpretava vários personagens —incluindo um produtor de Bollywood chamado Raj. Para o papel, o rosto de Kutcher foi pintado de marrom, e o ator imitava um sotaque indiano.

    Inicialmente, a Popchips pediu que os espectadores assistissem ao anúncio com o "espírito que se pretendia" de humor. Mais tarde, seu executivo-chefe, Keith Belling, disse em um comunicado: "Nossa equipe trabalhou duro para criar uma paródia alegre com uma variedade de personagens que provocassem algumas risadas. Não pretendemos ofender ninguém. Eu assumo toda a responsabilidade e peço desculpas a quem ofendemos."

    DOVE, mai.2011

    Em 2011, a Dove foi criticada por outro anúncio: este mostrando três mulheres de pé lado a lado, cada uma com uma pele mais clara do que a mulher ao lado dela. Atrás delas aparecia escrito "antes" e "depois"; a indicação "antes", posicionada atrás de uma mulher afro-americana, mostrava pele rachada, enquanto o sinal "após", atrás de uma mulher branca, mostrava uma pele lisa.

    "Pele visivelmente mais bonita", dizia o anúncio.

    A Edelman, empresa de relações públicas que representa a Dove, disse em uma declaração: "Todas as três mulheres pretendem demonstrar o benefício do produto 'após'. Não toleramos nenhuma atividade ou imagem que insulte intencionalmente qualquer público."

    INTEL, jul.2007

    Um anúncio de 2007 para o novo processador da Intel mostrou um homem branco cercado por seis velocistas negros. "Multiplique o desempenho do computador e maximize o poder de seus funcionários", dizia o texto.

    A Intel disse que sua intenção "era transmitir as capacidades de desempenho de nossos processadores através da metáfora visual de um velocista", mas reconheceu: "Infelizmente, nossa execução não entregou nossa mensagem pretendida e na verdade provou ser insensível e insultante."

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