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    Monday, 01-Jun-2020 17:23:34 -03

    seminário reforma trabalhista

    O que muda com a nova lei trabalhista, e o que os tribunais ainda podem rever

    RICARDO BALTHAZAR
    NATÁLIA PORTINARI
    DE SÃO PAULO

    11/11/2017 02h00 - Atualizado às 12h52
    Erramos: esse conteúdo foi alterado

    Valdecir Galor/SMCS
    Vinte e um alunos da Escola de Educação Especial Primavera, no Tarumã, receberam na manhã desta terça-feira (02) a carteira de trabalho. Foto: Valdecir Galor/SMCS
    A nova lei trabalhista começou a valer neste sábado (11)

    A nova lei trabalhista, sancionada em julho pelo presidente Michel Temer (PMDB), começou a valer neste sábado (11). A reforma altera mais de 100 pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o conjunto de normas que rege as relações de trabalho no país. As mudanças trazem vantagens para patrões e empregados, mas vários pontos deverão ser objeto de controvérsia nos tribunais.

    Na terça (13), o governo baixou medida provisória que altera alguns artigos da nova lei. Ela vale por 120 dias e perderá seus efeitos se não for aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado até lá. O Congresso também poderá fazer novas alterações na lei ao analisar a medida provisória.

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    NEGOCIAÇÕES ENTRE PATRÕES E EMPREGADOS

    Acordos coletivos podem prevalecer sobre a legislação em vários casos. Os juízes trabalhistas já adotam esse princípio há algum tempo nos casos em que os acordos são mais benéficos. A nova lei define situações em que isso pode ocorrer e garante proteção a direitos trabalhistas assegurados pela Constituição

    O que pode ser negociado

    • Jornada de trabalho
    • Banco de horas
    • Intervalo para almoço
    • Plano de cargos e salários
    • Representação dos trabalhadores no local de trabalho
    • Teletrabalho, trabalho intermitente e regime de sobreaviso
    • Remuneração por produtividade, incluindo gorjetas e prêmios
    • Participação nos lucros ou resultados
    • Trabalho em ambientes insalubres

    O que não pode ser negociado

    • Salário mínimo
    • FGTS
    • Valor do 13º salário
    • Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno
    • Horas extras, no mínimo de 50%
    • Repouso semanal remunerado
    • Férias anuais, com adicional de um terço
    • Salário-família
    • Licença-maternidade e licença-paternidade
    • Aviso prévio
    • Seguro-desemprego
    • Normas de saúde, higiene e segurança do trabalho
    • Adicional para atividades penosas, insalubres ou perigosas
    • Seguro contra acidentes de trabalho
    • Prazo de prescrição para ações trabalhistas
    • Proibição de discriminação de deficientes
    • Proibição do trabalho de menores de 16 e restrições para menores de 18
    • Liberdade de associação sindical
    • Direito de greve

    Juízes afirmam que a Constituição proíbe acordos que reduzam ou suprimam direitos e garante que a norma mais benéfica seja aplicada sempre que houver dúvidas

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    JORNADA DE TRABALHO

    Patrões e empregados podem negociar de várias maneiras a jornada de trabalho a ser cumprida, desde que os limites previstos pela Constituição e pela legislação sejam respeitados. Esses arranjos dão mais flexibilidade aos trabalhadores e às empresas e podem regularizar situações que atualmente ocorrem na informalidade

    Banco de horas
    Trabalhadores poderão negociar individualmente com as empresas seu banco de horas, desde que a compensação das horas ocorra em no máximo seis meses

    Vantagem Flexibilidade nas negociações do sistema, ao qual muitos sindicatos se opõem

    Juízes dizem que a Constituição exige acordo coletivo nesses casos

    Jornada 12 x 36
    Trabalhadores poderão negociar jornadas de até 12 horas se forem seguidas de 36 horas de descanso, modelo que já é comum em áreas como saúde e segurança

    Vantagem A lei permite negociação individual desses contratos, sem participação de sindicatos, mas a medida provisória elimina essa possibilidade

    Juízes dizem que a Constituição exige acordo coletivo nesses casos

    Jornada parcial
    Contratados para cumprir jornada parcial podem trabalhar até 30 horas por semana, ou 26 horas mais 6 horas extras. Antes, o limite para esses contratos era de 25 horas

    Vantagens Horários mais flexíveis para estudantes e quem tem filhos pequenos, e redução de custos para empresas

    LIMITES MANTIDOS

    Jornada
    Novos contratos devem respeitar os limites que já eram previstos pela legislação antiga

    • 8 horas por dia
    • 44 horas por semana
    • 220 horas por mês
    • 2 horas extras por dia

    Horas extras
    Quanto a lei manda pagar, além do valor da hora normal

    • 50% no mínimo
    • 100% em domingos e feriados
    • 20% adicionais para horas extras cumpridas entre 22h e 5h

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    CONDIÇÕES DE TRABALHO

    A negociação do tempo de descanso e do tempo gasto no trajeto da casa para o trabalho fica mais fácil. Com isso, a reforma abre caminho para redução de custos nas empresas. O artigo da nova lei que permite o trabalho de mulheres grávidas em ambientes insalubres pode criar controvérsia mesmo após ajustes feitos pela medida provisória

    Descanso
    O intervalo para descanso e alimentação durante a jornada de trabalho pode ser de no mínimo 30 minutos. Antes, a lei exigia no mínimo uma hora

    Vantagens Trabalhadores podem encerrar o expediente e voltar para casa mais cedo, e empresas podem evitar horas extras

    Juízes acham que o intervalo é uma das normas sobre saúde e segurança que não podem ser negociadas sem violar a Constituição

    Horas de trajeto
    O tempo gasto até o trabalho e na volta para casa não deve ser contado como parte da jornada quando a empresa fornece transporte aos empregado

    Vantagem Garantia de transporte a empregados com custo menor para empresas

    Juízes dizem que o tempo gasto no trajeto deve ser remunerado como parte da jornada de trabalho

    Férias
    Poderão ser parceladas em até três vezes, desde que um dos períodos seja de pelo menos 14 dias corridos e os outros de pelo menos 5

    Vantagem Maior flexibilidade para trabalhadores e empresas

    Grávidas e lactantes
    Mulheres grávidas ou lactantes poderão trabalhar em ambientes insalubres se o risco para a mãe e o bebê for considerado baixo por um médico

    Vantagem O trabalho nesses ambientes só será permitido para uma mulher grávida se ela apresentar atestado médico apontando risco médio ou mínimo, e as lactantes poderão ser afastadas se apresentarem atestado em qualquer situação

    Juízes acham que condições de trabalho em ambientes insalubres fazem parte de normas sobre saúde e segurança que não podem ser negociadas sem desrespeitar a Constituição

    Trabalhadores hiperssuficientes
    Profissionais com ensino superior e salário maior do que R$ 11 mil poderão negociar individualmente com as empresas

    Vantagem Maior flexibilidade para trabalhadores e empresas

    Juízes afirmam que a Constituição proíbe acordos que reduzam direitos e garante que a norma mais benéfica seja aplicada sempre que houver dúvidas

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    SALÁRIOS E BENEFÍCIOS

    A nova lei procura dar maior segurança jurídica às empresas ao definir limites para pedidos de equiparação salarial dos trabalhadores e isentar de encargos verbas pagas eventualmente como incentivo à produtividade dos empregados, mas pode haver polêmica nos tribunais mesmo assim

    Planos de cargos e salários
    Planos de carreira poderão ser negociados sem registro em contrato de trabalho nem homologação pelo Ministério do Trabalho, uma exigência da legislação antiga

    Vantagem Maior flexibilidade para trabalhadores e empresas

    Isonomia salarial
    Para pedir equiparação com colegas que ganham mais na mesma função, trabalhadores precisarão ter pelo menos quatro anos na empresa e dois anos na função

    Vantagem Maior segurança jurídica para empresas

    Comissões, gratificações e prêmios
    Verbas de caráter eventual como comissões, gratificações e prêmios por produtividade, auxílio-alimentação e ajudas de custo limitadas a 50% da remuneração total não devem ser consideradas parte do salário

    Vantagem Custos menores para empresas, com redução de encargos

    Juízes acham que as empresas devem recolher contribuição previdenciária sobre essas verbas também

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    DEMISSÃO

    A reforma cria um novo tipo de demissão, que poderá ser negociada por patrões e empregados, e estabelece normas que podem reduzir a interferência dos sindicatos. O objetivo é facilitar o desligamento de trabalhadores em algumas situações e torná-lo mais barato para as empresas

    Demissão em comum acordo
    Patrões e empregados poderão rescindir o contrato de trabalho em comum acordo. Nesse caso, trabalhadores têm direito a 50% do aviso prévio e da multa do FGTS e podem sacar 80% do saldo do FGTS, mas não podem receber seguro desemprego

    Vantagens Trabalhadores ganham mais com novo modelo do que se pedissem demissão, e empresas pagam menos do que se demitissem sem justa causa

    Homologação da rescisão
    Em caso de demissão, a rescisão do contrato de trabalho não precisa mais ser homologada pelos sindicatos

    Vantagens Menos burocracia para patrões e empregados, que podem receber a indenização mais rapidamente.

    Sem o pente-fino que os sindicatos fazem na homologação, trabalhadores podem processar empresas se erros forem descobertos depois

    Demissão coletiva
    Demissões coletivas poderão ser feitas sem negociação com sindicatos, que não precisam mais ser comunicados da decisão da empresa

    Vantagens Flexibilidade e redução de custos para empresas

    Juízes dizem que demissões coletivas sem negociação com os sindicatos ferem vários princípios da Constituição

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    NOVOS TIPOS DE CONTRATO DE TRABALHO

    São regulados o teletrabalho, à distância da empresa, e as jornadas intermitentes. A reforma também cria garantias para funcionários que prestam serviços terceirizados

    Teletrabalho
    A nova lei cria regras para o teletrabalho, regime em que o empregado trabalha fora da empresa, em casa ou na rua, e se conecta com o empregador pela internet ou por telefone

    Vantagens Flexibilidade para patrões e empregados e economia para empresas, que devem custear equipamentos, mas não precisam pagar horas extras

    Juízes acham que empresas devem se responsabilizar por acidentes e pagar horas extras

    Trabalho intermitente
    Prestação de serviços por horas, dias ou meses, sem continuidade, em que o empregado é convocado para trabalhar com pelo menos três dias de antecedência. Uma regra válida até 2020 estabelece que trabalhadores demitidos só podem ser recontratados como intermitentes 18 meses após o desligamento

    Vantagens Flexibilidade para patrões e empregados, com regularização de bicos e outras situações que já ocorrem na informalidade

    Juízes dizem que o novo regime desrespeita direitos garantidos pela Constituição

    Autônomos
    Contratos de trabalho autônomo não podem incluir cláusulas de exclusividade, permitindo que os trabalhadores prestem serviços a mais de uma empresa e se recusem a realizar atividades exigidas pela contratante, ao contrário dos funcionários da empresa

    Vantagem Custos menores para empresas, com redução de encargos, e menor risco de ações trabalhistas

    Empresas continuarão sujeitas a ações trabalhistas se outras circunstâncias da relação de trabalho indicarem vínculo empregatício

    Benefícios a terceirizados
    Empresas são obrigadas a oferecer a terceirizados os mesmos benefícios de alimentação, transporte e atendimento médico oferecidos a contratados diretamente

    Vantagem Garantia para trabalhadores terceirizados

    Juízes acham que trabalhadores terceirizados também têm direito a isonomia salarial com os funcionários da empresa

    Pejotização
    Trabalhadores demitidos só podem ser recontratados como prestadores de serviços terceirizados 18 meses após o desligamento

    Vantagem Evitar a perda de arrecadação que o governo sofre quando empresas demitem empregados para recontratá-los como pessoas jurídicas, que recolhem menos imposto sobre a renda, e evitar que trabalhadores sejam pejotizados com redução de seus ganhos

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    REPRESENTAÇÃO SINDICAL

    Sindicatos de trabalhadores podem ficar enfraquecidos com o fim de sua principal fonte de financiamento, o imposto sindical obrigatório, mas a necessidade de convencer os trabalhadores a financiá-los pode levá-los a atuar de forma mais efetiva

    Imposto sindical
    Com a reforma, o imposto passa a ser recolhido apenas de quem autorizar o desconto no salário

    Vantagem Liberdade de escolha para trabalhadores e empresas, que poderão deixar de recolher contribuições não autorizadas

    Juízes acham que trabalhadores terão que se submeter à maioria se assembleias da categoria aprovarem o desconto do imposto

    Comissões de empregados
    Empregados poderão eleger comissões de representantes sem vínculo com o sindicato em empresas com mais de 200 funcionários

    Vantagens As comissões não têm poder para negociar acordos como os sindicatos, mas podem resolver conflitos no local de trabalho e apresentar demandas

    Acordos de empresas com comissões podem ser questionados na Justiça

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    JUSTIÇA DO TRABALHO

    Vários dispositivos da reforma têm como objetivo reduzir a pressão nos tribunais, limitando o acesso gratuito de trabalhadores à Justiça, restringindo o potencial de ganho com ações de dano moral e protegendo ex-sócios e empresas do alcance de ações trabalhistas. As vantagens vão depender da interpretação das novas normas pelos tribunais

    Acesso gratuito
    Trabalhadores com renda inferior a 40% do teto do INSS (R$ 2.212) terão acesso gratuito à Justiça do Trabalho, mas os demais precisarão comprovar incapacidade de pagar os custos do processo

    Vantagem Para empresas, menos ações trabalhistas

    Dano moral
    Indenizações por dano moral, em casos de ofensa à honra ou assédio no trabalho, são tabeladas de acordo com o grau da ofensa e limitadas a 50 vezes o teto dos benefícios da Previdência, o que significaria R$ 276 mil hoje

    Vantagens Custos menores e menos incerteza para empresas

    Juízes acham que o limite é inconstitucional, por ferir a dignidade humana

    Súmulas do TST e jurisprudência
    Para que uma turma do TST adote súmulas e uniformize a jurisprudência, a nova lei exige o voto de pelo menos dois terços da turma e um histórico de decisões por unanimidade sobre o assunto

    Vantagem Segurança jurídica para trabalhadores e empresas

    Juízes acham que a norma é inconstitucional, por restringir a independência do Judiciário

    Responsabilidade de ex-sócios
    Ex-sócios de uma empresa processada na Justiça só respondem por suas dívidas trabalhistas na ausência dos atuais donos do negócio e por até dois anos após saída

    Vantagem Proteção para sócios que se afastaram de empresas com dívidas trabalhistas

    Responsabilidade de grupo econômico
    Uma empresa só será tratada como parte do mesmo grupo econômico na Justiça do Trabalho se forem demonstrados o interesse comum e a atuação conjunta das empresas do grupo

    Vantagem Proteção para empresas na Justiça

    Juízes dizem que caberá às empresas provar que não são parte do grupo econômico

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