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    Analistas descartam bolha na Bolsa de SP, mas sugerem cautela

    DANIELLE BRANT
    DE SÃO PAULO

    15/01/2018 02h00

    Rahel Patrasso/Xinhua
    (170822) -- SAO PAULO, agosto 22, 2017 (Xinhua) -- Personas caminan frente a "BM&F Bovespa", la Bolsa de Valores de Sao Paulo, en Sao Paulo, Brasil, el 22 de agosto de 2017. De acuerdo con información de la prensa local, el índice principal de la bolsa de valores brasileña, "Ibovespa", alcanzó su nivel más alto desde el 18 de enero de 2011, luego de que el lunes el gobierno brasileño anunció sus intenciones de vender una parte de las acciones de la compañía estatal de energía Eletrobras. (Xinhua/Rahel Patrasso) (rp) (ma) (da)
    Para analistas, não há bolha na Bolsa brasileira, mas excesso de liquidez no exterior preocupa

    Os sucessivos recordes batidos pela Bolsa brasileira desde 2017 não carregam indícios de formação de bolha no país, na avaliação de analistas, mas exigem que o investidor tenha cuidado ao entrar no mercado e sangue-frio para tolerar eventuais baixas.

    Desde setembro do ano passado, foram 14 recordes nominais -o mais recente, na segunda passada (8), quando o Ibovespa, índice das ações mais negociadas da Bolsa, atingiu 79.378 pontos, em sua 11ª alta seguida.

    A forte valorização não é fenômeno local. Nos Estados Unidos e na Europa, os principais índices acionários vêm de um ano igualmente arrasador: os americanos Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq estão em seus maiores patamares.

    O mesmo ocorre com o britânico FTSE-100. Já o alemão DAX atingiu sua máxima em novembro do ano passado, enquanto o índice da Bolsa de Paris se aproxima de seu nível histórico mais elevado.

    A conjuntura bastou para que alguns economistas começassem a alardear que esses mercados estariam passando pela formação de uma bolha, quando os preços de ativos sobem muito rapidamente e para patamares considerados descolados do valor "justo" desse produto.

    Jeremy Grantham, da gestora GMO, uma das maiores do mundo, é uma dessas vozes. Ele é conhecido por ter identificado a formação de uma bolha no mercado de crédito imobiliário nos EUA, no que deu origem à crise financeira de 2008.

    Segundo Grantham, é de 50% a probabilidade de os mercados passarem por uma aceleração motivada por euforia dos investidores nos próximos seis meses a dois anos. Se isso acontecer, as chances de um "derretimento" serão da ordem de 90% –e os mercados poderão cair à metade.

    HÁ CONTROVÉRSIA

    Para outros especialistas, porém, a palavra é muito forte. Marcelo Faria, gestor de renda variável da Porto Seguro Investimentos, afirma que, até o momento, "a gente não viu uma aceleração de preço típica de bolha".

    "Talvez agora, com esse momento bom, a gente possa ver mais dinheiro entrando, o que pode mascarar os problemas internos, como a ausência das reformas e o período eleitoral volátil."

    Ricardo Rochman, professor de economia da FGV, também não vê bolha. "O Ibovespa atingiu recorde na última segunda. Se alguém comprou no pico anterior, em maio de 2008, teve valorização de 8%", diz. "É muito pouco. Em dólares, no mesmo período, a Bolsa caiu 44,7%", diz.

    Mesmo com as recentes altas, a tendência para os principais mercados acionários, incluindo o brasileiro, ainda é de valorização. A principal explicação é o excesso de dinheiro nas mãos de investidores estrangeiros, após anos de política monetária nos países desenvolvidos para tentar reanimar as economias.

    Essa injeção de recursos só começou a dar resultados em 2017. E teve como reflexo o crescimento das principais economias mundiais -entre elas a brasileira, que passou ainda por um corte de juros que levou investidores a buscarem ganho em Bolsa.

    "Os investidores estrangeiros veem no mercado brasileiro um potencial de ganho no curto prazo", afirma Rochman. "Então se o mercado subir e, em seis meses, ele conseguir 10%, está ótimo. Ele já bateu a meta do ano."

    VALE ENTRAR?

    Para quem pensa em comprar ações na Bolsa, a recomendação é não olhar o ganho recente, afirma Marcia Dessen, diretora da associação Planejar e colunista da Folha. "Quando tomamos a decisão de investir, devemos olhar a rentabilidade potencial futura", diz.

    Neste ano, a variável política ainda deve ser colocada na conta. "Se suas projeções forem otimistas e se você está decidido a investir, aplique uma pequena porcentagem da carteira total, cerca de 10%", recomenda.

    O investidor precisa também ter tolerância às oscilações. Depois das 11 altas, o Ibovespa caiu por dois dias.

    Folhainvest

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