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    Ex-militar dos EUA relata abuso sexual contra presos de Abu Ghraib

    da Folha Online

    28/05/2009 12h39

    O ex-general americano Antonio Taguba, responsável pela investigação sobre denúncias de torturas e abusos dos soldados dos Estados Unidos nas prisões do Iraque e Afeganistão, confirmou nesta quinta-feira que há fotografias revelando violência e abuso sexual contra os prisioneiros do centro iraquiano Abu Ghraib.

    As declarações do ex-general foram publicadas nesta quinta-feira pelo jornal britânico "The Daily Telegraph", que sugere ainda que foram estas imagens que levaram o presidente dos EUA, Barack Obama, a rejeitar a publicação das imagens --uma decisão que contrariou promessas de campanha.

    Reuters
    Imagem não datada mostra pirâmide feita com prisioneiros nus e encapuzados em cena de abuso na prisão iraquiana de Abu Ghraib
    Imagem não datada mostra pirâmide feita com prisioneiros nus e encapuzados em cena de abuso na prisão iraquiana de Abu Ghraib

    Os casos de tortura praticados por militares americanos na prisão iraquiana foram divulgadas pela primeira vez em 2003, ano em que teriam ocorrido. Em 2004, a prisão ganhou destaque internacional com a divulgação de fotografias que mostravam presos sendo humilhados e abusados por militares americanos --entre elas, fotos com homens nus, com capuz, ligados a fios, amontoados ou ameaçados por cachorros.

    Em 2006, a rede de televisão australiana SBS divulgou outras imagens de presos sendo torturados.

    O relatório que Taguba publicou em 2004, após concluir as investigações, continha acusações desse tipo de abuso, mas não chegou a ser revelada a existência de fotografias que documentavam esses fatos.

    As imagens contidas em algumas dessas fotos podem explicar, segundo o jornal, as tentativas de Obama de impedir a publicação de cerca de duas mil fotografias de prisões do Iraque e Afeganistão, apesar de uma promessa anterior em sentido contrário.

    Taguba, que se aposentou em janeiro de 2007, expressou seu apoio à decisão de Obama, ao assinalar que as imagens mostravam cenas de "torturas, abusos, violações e todo tipo de atos indecentes".

    Ainda segundo o jornal, ao menos uma das fotografias mostra um soldado americano estuprando uma prisioneira. Outra imagem exibe um intérprete abusando sexualmente de um prisioneiros. Há ainda imagens de abusos sexuais de prisioneiros com objetos como fios, um tubo fluorescente e cassetetes.

    Ao todo, as imagens provariam 400 casos de abuso ocorridos entre 2001 e 2005 em Abu Ghraib e em outros seis centros de detenção iraquianos e afegãos.

    06.mai.04/AP
    Foto publicada por jornal dos EUA mostra militares humilhando presos em Abu Ghraib
    Foto publicada por jornal dos EUA mostra militares humilhando presos em Abu Ghraib

    "Não tenho certeza de que sentido, salvo o puramente legal, teria a publicação dessas fotos, e a consequência seria pôr em perigo nossas tropas, únicos protetores de nossa política externa, quando mais necessitamos", disse o general --em um discurso similar ao de Obama.

    "A mera descrição dessas fotos é suficientemente horrível, podem acreditar em mim", acrescentou.

    Em abril, Obama afirmou que as fotografias seriam liberadas e que seria inútil apelar contra decisão da corte em favor da União de Liberdades Civis Americana. Contudo, depois de consultar fontes militares, o presidente mudou o tom do discurso e afirmou que a divulgação das imagens colocaria em risco os militares americanos.

    "A consequência mais direta da divulgação delas, eu acredito, seria inflamar o sentimento antiamericano e colocar nossas tropas em grande risco", disse o democrata, causando críticas entre as organizações de direitos humanos.

    Com Efe

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