O ex-príncipe iraniano Reza Ciro Pahlavi, filho do xá Mohamed Reza Pahlevi, derrubado em 1979 pela Revolução Islâmica, disse nesta segunda-feira que chegou "a hora de o Irã" derrotar o atual regime, após anos de tentativas frustradas.
Em um encontro com jornalistas, o ex-príncipe do Irã, que desde 1984 vive nos Estados Unidos, afirmou que as manifestações e distúrbios que sacodem o país desde o último dia 12 são "um grito pela liberdade e pela democracia".
Emocionado, Pahlavi disse que o que está acontecendo no Irã "é quase um clima revolucionário" e "é a primeira vez na história moderna" de seu país que o povo iraniano reivindica a intervenção da comunidade internacional para que suas vozes sejam escutadas. "Temos que derrotar o sistema. Sabemos que o regime tem que acabar", afirmou Pahlavi, que abandonou o Irã em 1978 e viveu desde então no Marrocos, Egito e Estados Unidos.
| J. Scott Applewhite/AP |
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| O ex-príncipe iraniano Reza Pahlavi, filho do xá Mohamed Pahlevi, que deu apoio à oposição |
O filho do último xá da Pérsia, que faleceu em 1980 em seu exílio no Egito, reconheceu que muitos já tentaram provocar o "colapso definitivo" das estruturas iranianas, mas se mostrou convencido de que "chegou a hora do Irã após 30 anos" de luta.
Segundo Pahlavi, há um "impulso" para acabar com o governo islâmico do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, mas também opinou que o movimento não terá sucesso sem o apoio da comunidade internacional e uma posição "tática" dos governos. "Movimentos não violentos raramente têm êxito sem apoio internacional", afirmou.
Neste sentido, se mostrou "encorajado" pelas últimas declarações do presidente americano, Barack Obama, que no final de semana pediu a Teerã para que "detenha toda a violência e as ações injustas contra seu próprio povo". Obama, que mediu cuidadosamente as palavras após as eleições no Irã e disse que não quer "se intrometer", foi mais enfático nos últimos dias sobre o que está ocorrendo nas ruas desse país, disse Pahlavi.
Neste sentido, pediu que a comunidade internacional não deixe que "o regime iraniano defina o que é interferência e o que não é".
Com base nos contatos que mantém com iranianos do mundo político, militar e religioso, Pahlavi explicou que atualmente há dois grupos nas altas esferas governamentais do Irã: os que são fiéis à atual Administração e os que planejam cuidadosamente sua "saída". O ex-príncipe antecipou que, com o passar do tempo, o movimento cresce e a pressão sobre o regime aumenta.
"Em algum momento vamos ver uma posição muito mais clara" e definida por parte de membros do Governo, da inteligência militar e dos clérigos iranianos, ou contra ou a favor do povo", disse. "Este é também um momento importante para que os clérigos tomem distância do regime", afirmou Pahlavi.
Para ele, o importante é manter em andamento o movimento de protesto, já que a pressão "deteriorará e fragmentará" ainda mais o regime teocrático iraniano, insistiu. "Não vamos deixar que morra" o movimento, que não é "islâmico nem anti-islâmico", mas busca lutar para que prevaleça o veredicto "sagrado" e a "soberania" das urnas.
"Já não se trata das eleições, nem dos candidatos", mas de conseguir "liberdade, democracia e o direito de votar livremente".
O ex-príncipe, que vive no estado de Maryland com a mulher e as três filhas, afirmou que sua decisão de falar em favor do povo iraniano não tem nada a ver com seu próprio futuro, e sim com sua defesa para que se instale no país um sistema democrático, parlamentar e secular. Esta "é a única solução" e saída para o Irã, afirmou o filho do último xá do Irã.
