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    Parentes do 11 de Setembro querem reunião com FBI sobre grampos

    DA REUTERS

    18/07/2011 18h40

    Familiares de vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos pediram para se encontrar com o FBI (polícia federal americana) e o Departamento de Justiça americano para terem acesso ao inquérito preliminar da agência sobre os relatos de que repórteres da News Corp. teriam tentado grampear os telefones de vítimas dos ataques.

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    Autoridades norte-americanas reconheceram que averiguam informações publicadas pelo jornal britânico "Daily Mirror", segundo o qual repórteres do tabloide concorrente "News of the World" ofereceram suborno a policiais de Nova York para obter gravações telefônicas de algumas das vítimas do atentado terrorista que completa 10 anos neste ano.

    A reportagem, que cita fontes não identificadas, ainda não foi confirmada independentemente, mas já despertou temores nos Estados Unidos sobre o tamanho no país do escândalo de grampos telefônicos envolvendo a News Corp que atingiu a Grã-Bretanha.

    O procurador de Nova York Normal Siegel, que representa familiares de vítimas do 11 de Setembro em três ações judiciais, enviou cartas nesta segunda-feira solicitando encontros com o diretor do FBI, Robert Mueller, o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, e o deputado John Conyers, do Comitê Judiciário da Câmara.

    Um porta-voz do FBI disse que não pode passar informações sobre o inquérito, mas disse que o Programa de Assistência a Vítimas do órgão está em contato regularmente com as famílias sobre a investigação.

    "Nós iremos, com certeza, fornecer a resposta apropriada a qualquer carta dos representantes das vítimas do 11 de Setembro", disse Bill Carter, do gabinete nacional de imprensa do FBI.

    Segundo a reportagem do "Daily Mirror", os jornalistas do "News of the World" queriam detalhes das ligações feitas pelas vítimas dos ataques nos dias antes do 11 de Setembro de 2001. O FBI abriu na semana passada uma investigação para determinar se o News Corporation cometeu alguma atividade ilegal nos Estados Unidos.

    ESCÂNDALO

    Há anos há denúncias e relatos de que repórteres do tabloide acessaram ilegalmente mensagens de telefones de políticos, celebridades e membros da família real para obter informações exclusivas.

    Nas últimas semanas, o escândalo ganhou novas proporções com denúncias de que vítimas de crimes e até familiares de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e Iraque foram grampeados. Há ainda relatos de que o tabloide teria pago propina a policiais por informações.

    Nesta semana, a comandante da Operação Weeting, que investiga os grampos, Sue Akers admitiu ao Parlamento que apenas 170 pessoas foram contatadas até agora de uma lista de 3.870 nomes, 5.000 telefones fixos e 4.000 celulares.

    O "News of The World" pertencia ao grupo News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados mundiais de mídia, pertencente a Rupert Murdoch.

    O tabloide era o jornal mais vendido aos domingos no Reino Unido, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares. Sua última edição, com o título "Obrigado e Adeus", circulou no domingo passado (10), após decisão de Murdoch de fechar a publicação de 168 anos.

    O escândalo também teve repercussão nos negócios de Murdoch. Ele se viu obrigado a retirar a oferta de adquirir a totalidade das ações do canal pago BSkyB, da qual já possui 39%.

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