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    Organização para a Proibição de Armas Químicas ganha o Nobel da Paz

    LEANDRO COLON
    DE LONDRES

    11/10/2013 06h08

    A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) foi anunciada nesta sexta-feira como vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2013.

    Criada em 1997 e com sede em Haia (Holanda), a instituição implementa a Convenção de Armas Químicas, tratado internacional que baniu o uso deste tipo de armamento no mundo. Recentemente, a Opaq recebeu atenção por ter assumido a missão de destruir o arsenal de armas químicas na Síria.

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    Segundo o comitê do Nobel, a Opaq foi escolhida pelo seu esforço para acabar com as armas químicas em todo o mundo. "Os recentes acontecimentos na Síria, onde as armas químicas foram novamente colocadas em uso, enfatizam a necessidade de aumentar os esforços para acabar com essas armas", diz trecho do anúncio desta sexta-feira.

    O chefe do comitê, o turco Thorbjørn Jagland, diz que a intenção é que o prêmio também incentive ainda mais países a aderirem ao tratado.

    Em sua história, a Opaq já realizou mais de 5.000 inspeções em 86 países e fiscalizou a destruição de 57.740 toneladas métricas de armas químicas, o que corresponde a 81,1% do total dos estoques de armas químicas declarados pelos países.

    O comitê do Nobel alertou ainda que Estados Unidos e Rússia não cumpriram a meta de eliminar suas armas químicas até abril de 2012. Os dois países ainda detêm, respectivamente, 10% e 30% de seu arsenal.

    A Opaq conta com menos de 500 funcionários e, em 2011, teve um orçamento de aproximadamente € 74 milhões (R$ 218 milhões).

    O diretor-geral da Opaq, Ahmet Uzumcu, disse estar "surpreso" com a escolha do Nobel. Afirmou que o resultado deve inspirar outras partes do mundo a lutarem para contribuir com a segurança e a paz. Ressaltou ainda que o Nobel é um incentivo para acabar com a guerra interna da Síria. ""Eu realmente espero que este prêmio ajude nos esforços mais amplos para alcançar a paz no país e a acabar com o sofrimento de sua população", disse.

    Em 2002, o brasileiro José Maurício Bustani, hoje embaixador do Brasil na França, foi destituído da presidência da Opaq por pressão dos EUA.

    NOBEL

    O prêmio frustrou as expectativas das mídias britânica e americana, que previam a escolha da ativista Malala Yousafzai, a paquistanesa baleada na cabeça pelo movimento islâmico Taleban por causa da militância pelo direito das mulheres à educação.

    Ao todo, 259 candidaturas foram apresentadas para o Nobel deste ano. Outro cotado era o médico congolês Dennis Mukwege. Em 2012, o Nobel da Paz também surpreendeu com a escolha da União Europeia (UE).

    Como vencedora, a Opaq recebe uma medalha de ouro e um prêmio de 8 milhões de coroas suecas (R$ 2,7 milhões).

    SAIBA MAIS

    CONVENÇÃO

    Dos 189 Estados que integram a organização, sete admitem possuir estoques de armas químicas. Os sete são a Albânia, a Índia, o Iraque, a Líbia, a Rússia e os EUA, além de um anônimo, que acredita-se ser a Coreia do Sul. Entre as armas estão gás mostarda e agentes como o gás sarin e VX.

    Nesta segunda-feira (14), a Síria, detentora de armas químicas, deverá virar o 190º membro da organização. Conforme a inteligência americana, o regime sírio realizou em 21 de agosto passado um ataque de gás sarin no subúrbio de Damasco que matou 1.429 pessoas, sendo 426 crianças.

    Entre os países que não são signatários da convenção estão a Coreia do Norte, Angola, Egito e Sudão do Sul. Israel e Mianmar (ex-Birmânia) assinaram, mas não ratificaram o documento.

    Pela convenção, é proibido desenvolver, produzir, adquirir, guardar, reter, transferir ou usar armas químicas.

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