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    Em 12 anos, Bloomberg inovou em Nova York, mas deixa o cargo desgastado

    JOANA CUNHA
    DE NOVA YORK

    05/11/2013 03h07

    Após 12 anos na Prefeitura de Nova York, o workaholic Michael Bloomberg --que, segundo ele mesmo, gosta de ser o primeiro a chegar no escritório e o último a sair e evita afastar-se da mesa de trabalho até para ir ao banheiro-- vai finalmente tirar férias.

    No dia 2 de janeiro, depois da posse de seu sucessor (que será escolhido na eleição de hoje), Bloomberg, 71, embarca com sua namorada Diana Taylor para a Nova Zelândia, onde vai jogar golfe com um bilionário do setor financeiro, segundo relatou em entrevista recente à "Forbes".

    Andrew Burton/Getty Images/AFP
    O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, em evento beneficente da arquidiocese da cidade no hotel Waldorf-Astoria
    O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, em evento beneficente da arquidiocese da cidade no hotel Waldorf-Astoria

    Ele certamente ficará à vontade na partida. Em seus três mandatos, o prefeito contribuiu para consolidar a identidade de Wall Street, reiterando sua própria origem em tempos anteriores à fundação da Bloomberg, gigante multinacional de mídia que construiu sua fortuna bilionária.

    Sua força policial varreu o acampamento do Ocupe Wall Street, movimento que protestava contra o 1% mais rico da população em 2011.

    Essa mesma polícia é hoje criticada por perseguir negros e latinos numa prática de revistas conhecida como "stop and frisk" (pare e reviste), contestada na Justiça.

    Político sem receio de expressar opiniões impopulares, Bloomberg sustenta que a operação apreendeu milhares de armas ilegais.

    Em 2002, ele assumiu uma Nova York traumatizada após os atentados de 11 de setembro e temerosa de que a violência ou uma crise econômica se instalassem na cidade.

    Ao partir, seu legado será o de um fanático visionário que expandiu as fronteiras da cidade. Desde que ele proibiu o fumo em restaurantes e bares de Nova York, há dez anos, centenas de experiências semelhantes foram implantadas nos EUA e no mundo.

    Editoria de Arte/Folhapress

    Seus esforços para desencorajar o uso de carros particulares e elevar a segurança no trânsito se replicaram em políticas de transporte pelo Oriente Médio, pela Ásia e pela América do Sul, por meio de iniciativas filantrópicas da fundação que leva seu nome.

    Adotou ainda iniciativas de reciclagem de resíduos, extensão da área de parques públicos e combate à gordura.

    Com poucas dúvidas em torno do resultado das eleições --o desfecho está praticamente definido pela larga vantagem do candidato democrata, Bill de Blasio--, a maior pergunta é como ficará Nova York quando Bloomberg deixá-la e como ele sobreviverá sem Nova York.

    A influência internacional do prefeito deve continuar mesmo após a saída do cargo. Ele assumirá o conselho da Serpentine Gallery (Londres) e já disse que quer expandir os esforços do C40, rede que reúne projetos para reduzir as emissões de poluentes em grandes metrópoles.

    Segundo o instituto Marist Poll, mais de 65% dos eleitores nova-iorquinos querem levar a cidade para uma direção diferente da gestão do atual prefeito. O desgaste de sua imagem se deve, em parte, à manobra polêmica na Câmara que o levou ao terceiro mandato e lhe rendeu o apelido de "Hugo Chávez".

    Apesar do anseio por mudanças, 45% dos eleitores avaliam bem o seu trabalho.

    Sem a prefeitura, Bloomberg terá tempo livre para uma obstinação pessoal: dedicar-se aos estudos para falar espanhol como um nativo.

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