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    China pediu a comitiva do Brasil para evitar dalai-lama

    RANIER BRAGON
    DE BRASÍLIA

    09/11/2013 03h00

    Dois deputados federais brasileiros que se reuniram no último dia 4 com o principal líder do budismo tibetano, o dalai-lama, afirmaram que a Embaixada da China no Brasil tentou demovê-los da viagem sob o argumento de que ela seria "lesiva" à relação com Pequim.

    O dalai-lama, 78, recebeu, por uma hora e 20 minutos, os deputados Walter Feldman (PSB-SP) e Pastor Eurico (PSB-PE) em Dharamsala, na Índia, onde está exilado desde o frustrado levante de 1959 contra a dominação chinesa.

    Jessica Rinaldi/Reuters
    O líder espiritual do Tibet, dalai-lama
    O líder espiritual do Tibet, dalai-lama

    Segundo Feldman, o dalai-lama, Nobel da Paz em 1989, manifestou aos parlamentares esperança de retomar o diálogo com a China, apesar da alegada repressão a tibetanos que se manifestam pela autonomia da região.

    Ainda de acordo com Feldman, que também falou em nome do colega que o acompanhou, cerca de 25 deputados tinham a intenção de integrar a missão (aprovada pela Câmara) antes da pressão da embaixada chinesa.

    "Em uma audiência com o embaixador da China [Li Jinzhang], ele sugeriu que a gente fosse ao Tibete, não a Dharamsala", disse Feldman, que coordena a Frente Parlamentar de Amigos do Tibete.

    "Tivemos um jantar na casa do embaixador em que ele disse que o Brasil tem ampliado sua relação cultural e econômica com a China e que essa viagem seria uma lesão a essas relações, uma manifestação política muito negativa", afirmou o deputado.

    A China argumenta que o Tibete está incorporado ao seu território há séculos.

    Há pouco mais de um mês, uma leva de deputados viajou a Pequim e Xangai a convite do governo chinês, com o objetivo oficial de conhecer ações "nas áreas de transporte coletivo, energia renovável e combate às drogas".

    Em outra missão, também foi ao país o vice-presidente da República, Michel Temer, que foi recebido pelo presidente chinês, Xi Jinping.

    RELAÇÃO BILATERAL

    A Embaixada da China no Brasil não se manifestou. O Itamaraty confirmou ter sido procurado pela representação chinesa sobre a viagem dos deputados a Dharamsala, mas disse que a China "conhece plenamente a posição brasileira de que o dalai-lama é considerado um líder espiritual, sem status político, cujas visitas ao Brasil jamais tiveram caráter oficial".

    A China é o principal destino das exportações brasileiras (US$ 36 bilhões de janeiro a setembro) e responsável por 20% do consórcio que no mês passado assegurou o direito de explorar Libra, o maior campo de petróleo já descoberto no Brasil.

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