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    'Epidemia de medo' marca surto do ebola

    PATRÍCIA CAMPOS MELLO
    ENVIADA ESPECIAL A SERRA LEOA

    20/08/2014 02h00

    Existem duas epidemias atualmente: uma de ebola e outra de medo. Quem diz isso é Craig Manning, especialista da Divisão de Doenças Virais Especiais do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC), principal centro mundial de controle de epidemias.

    "A não ser que a pessoa tenha comido morcego ou macaco [com o vírus], cuidado de um parente contaminado, tratado de um doente no hospital ou ido a um enterro e manipulado o corpo, não há risco de contágio", disse à Folha Manning, que está em Serra Leoa com uma equipe de 22 pessoas do CDC.

    Segundo ele, há desinformação. "Não é gripe, não se pega no ar e nem ao se encostar na pessoa do lado. Precisa ser um contato com uma pessoa que já esteja doente e com sintomas, como vômitos, febre ou suor profuso."

    Não existe cura para a doença. O tratamento é apenas paliativo, e 60% dos infectados morrem. Estudos indicam que as pessoas que se curam do ebola desenvolvem anticorpos e ficam imunes.

    Essa é uma das linhas de pesquisa para fazer medicamentos para a doença –Kent Brantly, o médico americano que se contaminou na Libéria, recebeu transfusão de sangue de um menino de 14 anos que havia se curado da doença. Ainda não há conclusões definitivas sobre a eficácia do tratamento.

    Avener Prado/Folhapress
    Principal hospital de Kenema, em Serra Leoa, que aceita apenas pacientes com ebola
    Principal hospital de Kenema, em Serra Leoa, que aceita apenas pacientes com ebola

    Até agora, só se contaminaram familiares de doentes, médicos e pessoas que trabalhavam em hospitais. A única exceção foi o doente que embarcou em um voo da Libéria para Nigéria e contaminou funcionários do aeroporto. "Mas isso porque ele estava em estágio avançado da doença, vomitando, e os funcionários tiveram de ajudá-lo a se levantar", diz Manning.

    Segundo ele, só precisa entrar em isolamento quem tiver contato físico direto com um doente sintomático.

    Os profissionais do CDC, dos Médicos Sem Fronteiras e jornalistas que cobrem a epidemia –além da Folha, profissionais de veículos como "New York Times" e "Washington Post"– não precisam entrar em quarentena.

    "Se o ebola fosse transmitido facilmente, os números da epidemia seriam muito maiores. O que temos é um número pequeno de pessoas com uma doença horrível e incurável", diz Manning.

    Só o exame de sangue confirma a doença causada pelo ebola, que não é contagiosa enquanto os sintomas não se manifestam. A incubação é de 2 a 21 dias, mas em 90% dos casos a doença se manifesta até o décimo dia.

    Para conter a epidemia, a Libéria decretou toque de recolher em duas regiões a partir desta quarta (20).

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