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    Crítico afirma que política da Argentina vive 'berlusconização'

    FELIPE GUTIERREZ
    DE BUENOS AIRES

    16/11/2014 02h00

    "Farándula" é a palavra que descreve o mundo das subcelebridades, famosos de programas de auditório e de revistas de fofoca.
    O crítico de arte argentino Rodrigo Cañete vive na Inglaterra há dez anos e mantém o site loveartnotpeople.org, em que mostra como o poder e a "farándula" têm se entrelaçado na Argentina.

    Folha - A Califórnia elegeu Arnold Schwarzenegger. No Brasil, Romário é senador e um palhaço [Tiririca] foi um dos deputados mais votados. Isso é diferente da Argentina?

    Rodrigo Cañete - Aqui também há casos assim. O humorista Miguel del Sel, após uma carreira bem-sucedida, quase foi governador de Santa Fé e virou deputado. O senador Carlos Reutemann foi piloto de corrida. Isso era a "farandulização da política".

    Mas agora houve um salto e viveremos a política da "farándula". O mundo das subcelebridades e das fofocas virou espaço para construir poder real.

    Mas, na Argentina, a política tradicional, que se apoia na militância nas ruas, é muito forte e presente.

    Sim. Quando a presidente quer forçar uma lei, arma uma mobilização, isso é da cultura do país. Mas a maneira de se projetar está mudando, e passa a se apoiar nesse tipo de mídia. É uma "berlusconização" da política argentina.

    Figuras como Marcelo Tinelli e Jorge Rial [apresentadores de TV] começam a tomar espaço das estruturas políticas tradicionais, e o poder real está mudando de mãos. E tudo com um padrão estético que se repete: mulheres de 25 anos namorando homens com botox no rosto.

    Nenhum pré-candidato presidencial foi ao casamento de Martin Insaurralde e Jésica Cirio. Por quê?

    Acho que foi uma espécie de recuo da política tradicional, que talvez tenha considerado que a espetacularização tenha ido um pouco longe demais. Além disso, no mesmo dia, mais de mil pessoas estavam fora de suas casas por causa de uma inundação. Não pegaria bem.

    Por que as subcelebridades se associam a políticos?

    Elas têm a promessa de transcender a "farándula" e estender sua esfera de influência para a do poder real.

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