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    Jornal espanhol entrevista homem que matou Che Guevara

    DA EFE

    23/11/2014 10h35

    O jornal espanhol "El Mundo" publica neste domingo (23) uma entrevista com o militar aposentado que matou Che Guevara em 9 de outubro de 1967 em La Higuera, na Bolívia.

    Mário Terán Salazar, 72, que era soldado do Exército boliviano na época, não admite diretamente aos jornalistas ter sido o autor do disparo. O "El Mundo", porém, ouviu a confirmação de seu então superior hierárquico, o hoje general Gary Prado.

    Guevara foi capturado pelos militares quando tentava organizar uma revolução no país. Segundo os relatos de Terán e Prado, após a captura os soldados receberam a ordem do governo para executar Guevara e vários soldados se voluntariaram a fazê-lo. O coronel Joaquín Zenteno, então, designou Terán para a tarefa.

    Reprodução/Facebook/Madureira
    Che Guevara posa para fotos com o time do Madureira em 1963
    Che Guevara posa para fotos com o time do Madureira em 1963

    Terán foi até a escola de La Higuera onde Guevara estava preso. Quando entrou na sala, Guevara lhe disse: "Você veio aqui para me matar".

    Segundo a confissão escrita que fez aos seus superiores, Terán ficou intimidado pela presença do guerrilheiro e ficou tonto.

    "Então, dei um passo atrás, até a soleira da porta, fechei os olhos e disparei a primeira rajada. O Che caiu ao solo com as pernas destroçadas, se contorceu e começou a jorrar muitíssimo sangue. Eu recobrei o ânimo e disparei a segunda rajada, que atingiu seu braço, um ombro e o coração", escreveu no relatório.

    O jornal publicou uma foto do suboficial Terán em 1967 e agora. O general Gary Prado reconhece o militar nas fotos e diz que ainda se veem de vez em quando em Santa Cruz de la Sierra.

    Prado diz que sempre recomendou ao suboficial que não confessasse publicamente seu papel de protagonista na morte de Guevara, para evitar possíveis retaliações de seus seguidores.

    Na entrevista ao jornal em sua casa, o antigo suboficial tenta desconversar dizendo que havia três militares com seu mesmo sobrenome no Exército boliviano, e que por isso ele sempre foi confundido com quem matou o guerrilheiro.

    Segundo ele, nunca viu filmes ou leu livros sobre a vida de Guevara. "Nunca me interessei em acompanhar o que se dizia do Che. Eu tinha ideias diferentes."

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