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    EUA dizem que Venezuela é ameaça à segurança e anunciam sanções

    RAUL JUSTE LORES
    DE WASHINGTON
    SAMY ADGHIRNI
    DE CARACAS

    09/03/2015 13h47

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou nesta segunda-feira (9) uma ordem executiva, equivalente a um decreto presidencial, em que chama a situação na Venezuela de "ameaça extraordinária à segurança dos EUA" e instaura sanções contra sete integrantes do governo do presidente Nicolás Maduro.

    A declaração de "ameaça à segurança nacional" é a linguagem padrão que permite sanções a um terceiro país, similar às que os EUA têm contra países como a Síria ou o Irã. Neste caso, Obama cita a "presença de significativa corrupção pública", numa sugestão de que o dinheiro ligado a ela poderia chegar até o sistema financeiro norte-americano.

    Brendan Smialowski - 3.mar.2015/AFP
    Presidente dos EUA, Barack Obama, participa de encontro no Salão Oval da Casa Branca
    Presidente dos EUA, Barack Obama, participa de encontro no Salão Oval da Casa Branca

    Em resposta, Maduro disse, em discurso na TV, ter pedido ao Parlamento que aprove nesta terça-feira (10) uma "lei habilitante anti-imperialista", que aumentará ainda mais o poder do presidente de governar por decreto.

    Ele indicou que a lei lhe dará "poderes especiais" para comandar o país frente a ameaças, mas não está claro qual será o teor exato do texto.

    O decreto de Obama suspende vistos e ordena o congelamento de bens em território americano de sete autoridades venezuelanas —das quais seis militares e policiais, como Gustavo López, diretor do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional).

    Horas depois da divulgação das sanções, Maduro anunciou que López será o novo ministro do Interior, Justiça e Paz.

    "Obama deu o passo mais agressivo, injusto e nefasto já dado contra a Venezuela", disse. Caracas ainda convocou o encarregado de negócios da embaixada americana para consultas. Os países estão sem embaixador desde 2010.

    Segundo os EUA, os sete membros do governo estão envolvidos em atos de "repressão e uso da violência em resposta a protestos contra o governo" e "pela erosão das garantias dos direitos humanos, pela perseguição de opositores políticos e pela restrição à liberdade de imprensa".

    A ordem de Obama implementa e expande sanções já aprovadas e sancionadas em dezembro pelo Congresso.

    Miguel Gutiérrez - 8.mar.2015/Efe
    Deputada cassada María Corina Machado (centro) lidera marcha em Caracas no domingo
    Deputada cassada María Corina Machado (centro) lidera marcha em Caracas no domingo

    A tensão entre os dois países aumentou nas últimas semanas. Maduro acusou os EUA de estarem por trás de uma campanha de "desestabilização de seu governo" e exigiu que a embaixada americana, com cem funcionários, reduza a equipe a 17 em 15 dias.

    A jornalistas, um diplomata sênior americano disse ser uma situação "infeliz" Caracas ter "optado" por "partir para outra direção" quando os EUA se aproximam de Cuba.

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